O Estádio Doutor Jayme Pinheiro de Ulhôa Cintra, o Jayme Cintra, foi aprovado por unanimidade para tombamento pelo Conselho Municipal do Patrimônio Cultural (COMPAC). A decisão ocorreu após audiência pública realizada em 13 de julho, sem manifestações contrárias à preservação. O processo agora segue para os trâmites administrativos e depende da publicação do decreto de tombamento.
Construído em 1957, o estádio é um dos principais símbolos da história do Paulista Futebol Clube e de Jundiaí. A construção contou com a participação da comunidade por meio da tradicional Campanha do Tijolo. O local também recebeu partidas marcantes, como a final da Copa do Brasil de 2005 e jogos da Copa Libertadores de 2006.
A decisão prevê ainda a criação de um grupo de estudos para estabelecer as diretrizes de preservação e a realização de uma visita técnica dos conselheiros ao estádio. O objetivo é definir quais elementos históricos deverão ser protegidos e como futuras intervenções poderão ser realizadas.
Para o comentarista esportivo e ex-árbitro Rafael Porcari, o tombamento é uma forma de garantir que a história do estádio continue sendo preservada para as próximas gerações. “Preservar o estádio Jayme Cintra, fazer o tombamento, é garantir que as gerações futuras possam entender que aquele clube de futebol, esse clube que tanto amamos, tem uma história antiga, magnífica e precisa ser contada de geração para geração.”
Porcari também destaca que a proteção não deve impedir melhorias no espaço. “O tombamento não pode ser um impedimento para que se façam obras de modernização. Está muito na moda o termo retrofit. A gente deixa uma coisa preservada, antiga, mas funcional e moderna.”
Em nota, o Paulista Futebol Clube afirmou que considera o Jayme Cintra “uma parte viva da história de Jundiaí” e defendeu a preservação do estádio. O clube também destacou que o espaço deve continuar exercendo sua função esportiva, mantendo a relação histórica com o futebol e com a cidade.
Futuro do estádio
A discussão ocorre em meio à chegada da Sociedade Anônima do Futebol (SAF) ao clube. A SAF, criada recentemente, adquiriu 90% dos direitos do Galo de Jundiaí em um processo que durou pouco mais de dois anos. Desde então, a equipe conquistou dois acessos, saindo da última divisão para a Série A3 do Campeonato Paulista.
O grupo pertence ao empresário Pedro Mesquita, ex-chefe do banco de investimento da XP. Para Porcari, o tombamento protege as características históricas do estádio, mas não garante, sozinho, a permanência do imóvel ligado ao Paulista. “O tombamento é a blindagem da história. Mas a blindagem do patrimônio é conseguir que o contrato seja bem garantido ao Paulista”, afirma.
O tema ganhou atenção entre torcedores diante das dúvidas sobre o futuro do estádio e da SAF. A preocupação é garantir que eventuais mudanças na gestão do clube não comprometam a utilização do Jayme Cintra pelo Paulista.
Após a aprovação pelo Compac, o processo segue para as etapas administrativas até a publicação do decreto de tombamento. A partir das regras definidas, eventuais reformas e adequações deverão respeitar as características protegidas do imóvel.