R$ 550 MIL EM MÍDIA

Redes sociais são as principais vitrines da pré-campanha de 2026

Por Alan Cavalieri | Jornal de Jundiaí
| Tempo de leitura: 4 min
Agência Brasil / Divulgação
Redes sociais se consolidam como principais ferramentas de comunicação e divulgação política
Redes sociais se consolidam como principais ferramentas de comunicação e divulgação política

A poucos meses do início oficial da campanha eleitoral de 2026, vereadores pré-candidatos ao parlamento estadual e federal investem em publicidade digital como estratégia para fortalecer a presença junto ao eleitorado. Dados da Biblioteca de Anúncios da Meta mostram que pré-candidatos da Câmara de Jundiaí acumulam mais de R$ 550 mil em anúncios sobre temas sociais, eleições e política desde 2020. Apenas nos últimos sete dias, os investimentos somaram R$ 5,8 mil. Especialista aponta que as redes sociais ampliaram o alcance das campanhas e se consolidaram como uma das principais ferramentas de comunicação política. 

Levantamento realizado pelo JJ identificou que apenas dois dos pré-candidatos analisados registraram impulsionamento de conteúdo nos últimos sete dias, prática que especialistas associam à consolidação das redes sociais como principal ferramenta de comunicação e construção de imagem no cenário eleitoral contemporâneo.

Segundo Hajj Mangolin, especialista em comunicação para campanhas políticas e no uso de inteligência artificial aplicada à análise de dados, “as redes sociais democratizaram o acesso às campanhas, possibilitando que candidaturas de diferentes portes alcancem públicos muito maiores do que seria possível por meio de ferramentas tradicionais, como panfletagem, rádio e televisão”.

Para o presidente da Câmara de Jundiaí, Edicarlos Vieira (União Brasil), a pandemia representou um ponto de virada para a comunicação política nas redes sociais. Apesar disso, ele afirma que o trabalho político continua sendo construído no contato direto com a população. “O contato presencial voltou com toda a força e continua indispensável, mas o avanço das redes sociais se tornou um caminho sem volta. A internet amplia o trabalho realizado nas ruas e permite que mais pessoas acompanhem as ações do mandato”, afirma.

Vieira também afirma que os investimentos em tráfego pago do mandato e das ações institucionais seguem estritamente a legislação, sendo custeados por recursos próprios e doações legalmente declaradas. Na última semana, os investimentos somaram R$ 541. Desde 2020, os anúncios acumulam R$ 55,4 mil.

Também pré-candidato a deputado estadual, Leandro Basson (Podemos) acumula R$ 312,2 mil em anúncios sobre temas sociais, eleições e política na plataforma Meta desde 2020. Apenas nos últimos sete dias, os investimentos somaram R$ 5,2 mil, segundo dados da Biblioteca de Anúncios da empresa. O JJ questionou a equipe do vereador para entender as estratégias de comunicação adotadas, mas não recebeu retorno até o fechamento desta edição.

Outros nomes cotados para disputar uma vaga na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) também registram investimentos em publicidade digital na plataforma Meta. Dados da Biblioteca de Anúncios apontam que Leandro Basson (Podemos) acumula R$ 312,2 mil em anúncios desde 2020, seguido por Faouaz Taha (PSD), com R$ 135,6 mil, Edicarlos Vieira (União Brasil), com R$ 55,4 mil, e Dika Xique-Xique (Podemos), com R$ 5,9 mil.

Entre os pré-candidatos à Câmara dos Deputados, Cristiano Lopes (PP) acumula R$ 33,2 mil em anúncios na plataforma desde 2020, enquanto Romildo Antonio (PDT) registra R$ 7,8 mil no mesmo período. Nenhum dos dois realizou impulsionamentos nos últimos sete dias, de acordo com os dados disponíveis na Biblioteca de Anúncios da Meta.

Na avaliação do especialista, o marketing político digital também ampliou a capacidade de segmentação das campanhas, permitindo que candidatos direcionem mensagens específicas para públicos determinados, inclusive em regiões afastadas dos grandes centros urbanos.

Apesar das vantagens, Mangolin alerta que os riscos para o debate público continuam presentes no ambiente digital. Para ele, as redes sociais ampliaram a velocidade e o alcance das informações, o que pode potencializar tanto conteúdos verdadeiros quanto desinformação. "Se um político mente no analógico, vai mentir no digital. Se ele engana o eleitor no panfleto, vai enganar no vídeo do Instagram", diz.

Outro ponto de atenção está nos investimentos realizados durante a pré-campanha. Embora a legislação seja menos restritiva antes do início oficial do período eleitoral, o especialista destaca que candidatos precisam respeitar os limites estabelecidos pela Justiça Eleitoral para evitar questionamentos futuros. "Houve casos de cassação de candidaturas por abuso de poder econômico durante a pré-campanha. Os investimentos em mídia paga devem ser compatíveis com a realidade e a capacidade de comprovação financeira de cada candidatura", ressalta.

Henrique Parra, também acompanha o debate sobre o papel das redes sociais nas campanhas eleitorais. Parra disputou as eleições de 2020, 2022 e 2024 e acumula R$ 68,9 mil em investimentos em anúncios na Meta desde 2020. Nos últimos sete dias, não houve registros de impulsionamento em seu perfil. 

Parra afirma que as redes sociais se tornaram uma ferramenta necessária para a disputa eleitoral, mas avalia que o modelo atual criou uma dependência excessiva do impulsionamento pago. 

Na avaliação do vereador, a lógica das plataformas favorece candidaturas com maior capacidade financeira e contribui para o encarecimento das campanhas. "Não vemos as redes sociais como algo que deva substituir o trabalho de base. O contato direto com a população continua sendo o mais importante. Mas hoje existe uma dependência criada pelas próprias plataformas, que acabam exigindo investimentos cada vez maiores para ampliar o alcance das mensagens", afirmou.

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