Ao ouvirmos esta frase, facilmente a imaginação nos coloca em um cenário onde alguém pede ajuda para um pequeno que esteja próximo a você, sentado ao seu lado. Contudo, quando ouvi a mesma frase da boca da minha mentora, ela o fez apontando o dedo indicador para meu peito, me despertando para uma nova realidade.
Naturalmente, ela não se referia a nenhuma criança fora de mim. Referia-se àquela que eu (e todos nós) carregamos dentro de nós mesmos, durante a vida toda. Este é um aspecto diferente da infância e da maternidade que muitas vezes negligenciamos: carregamos os medos e angústias que não resolvemos ao “primeiro contato” com o mundo.
Nos nossos primeiros anos de vida, o nosso sistema nervoso em desenvolvimento pode ser exposto a eventos com os quais somos incapazes de lidar de maneira saudável. São as perdas, as disputas por atenção e os medos que ativam nossos “circuitos cerebrais de sobrevivência” afetando o nosso pensamento e nossas escolhas por muito tempo depois de terem ocorrido, quiçá pelo resto da vida.
Tais como as crianças que somos, eu e a maioria das pessoas produzimos diante destes momentos de “crise” as defesas psíquicas necessárias para a sobrevivência e esperamos que alguém possa nos ajudar com o resíduo destas ações desesperadas, ou seja, as dores, mágoas, receios ... componentes do que popularizou-se chamar de “trauma”. Este “alguém” esperado para nosso salvamento é algum dos nossos pais, frequentemente a mãe.
Contudo, caso a ajuda da mãe não chegue da forma esperada, surge a tendência de achar- se negligenciado, abandonado, tratado inadequadamente com relação à uma necessidade específica. Contudo, isso é uma visão incompleta do “todo” da situação, típica entre as crianças.
Existem vários motivos em que uma mãe não corresponde à expectativa infantil, a maioria deles mais relacionados com a compreensão da criança do que com algo que ela efetivamente tenha feito, mas hoje eu prefiro dar enfoque ao que percebi quando minha mentora apontou o dedo para mim.
Está dentro de cada um de nós a fonte da força maternal que precisamos para nos cuidar. Para nos acolher. Não virá “de fora”, vinda de outra pessoa em que projetamos as tarefas que julgamos inacabadas pela nossa mãe, a segurança que esperávamos dela. Virá de dentro, de nós mesmos, da nossa capacidade de “auto-maternagem”.
Sim, dentro de nós está viva a força daquela que nos deu a vida, que foi o “portal” de entrada para este mundo: a capacidade de cuidar e acolher-nos é herdada principalmente de quem nos deu a vida e podemos fazer uso dela em qualquer momento, para nos amparar em tudo que achamos necessário. Esse recurso é de uso imediato e pode ser acessado por qualquer um, pois todos nós experimentamos o contato com nossas mães.
Aproveito então, o artigo de hoje, para fazer chegar a você e a força da sua mãe que segue viva consigo, um grande abraço de “Dia das Mães”, vindo de mim e da força da minha própria mãe, recomendando-lhes também que “cuidem bem das suas crianças”.
Dr. Alexandre Martin é médico, especialista em acupuntura e com formação em medicina tradicional chinesa e osteopatia e criador do método de medicina psicobiológica