Com o objetivo de aumentar o cadastro de possíveis doadores de medula óssea seguindo os critérios do Registro Brasileiro de Doadores Voluntários de Medula Óssea (Redome), Jundiaí sedia no dia 23 de maio campanha para coleta de amostras de sangue para doadores voluntários. Coordenado pelo Médula Óssea Jundiaí, grupo voluntário que organiza as campanhas de cadastramento na região, o evento pretende reforçar a participar da população já que houve queda no número de doadores depois que o Ministério da Saúde reduziu a idade máxima para cadastro como doador de medula óssea no Redome de 55 anos para 35 anos.
Segundo explica a coordenadora do grupo, Nádia Maria Rozon, a campanha acontece desde 2013, mas este ano tem um fator especial que é o chamamento para um grupo específico. “A mudança visa selecionar doadores mais jovens cujas células oferecem melhores resultados no transplante. Precisamos de ajuda na divulgação porque os cadastros reduziram após a mudança, antes as campanhas tinham em média entre 700 a 1000 mil cadastros, agora são em torno de apenas 60 cadastros”, explica.
O Redome foi criado em 1993 e 5,9 milhões de doadores cadastrados, com o 3º maior registro de doadores de medula do mundo, o que possibilita sucesso de transplantes de medula óssea entre pessoas que não têm parentesco. Para o cadastro é preciso ter entre 18 e 35 anos, boa saúde, documento com foto e coleta de apenas 5 a 10 ml de sangue. O cadastro é gratuito e pode salvar uma vida, ou duas, como aconteceu com José Ciocca Júnior, de 36 anos, que salvou duas vidas, sendo duas crianças.
Júnior (a esquerda) doou a medula para Pedro (a direita), ele é saudável e já é pai. Doador e receptor criaram um vínculo muito forte.
Foto: (arquivo pessoal)
“Não faço mais parte do cadastro, mas se pudesse faria porque tenho um sentimento de gratidão inexplicável por ter ajudado duas vidas. Hoje, eles fazem parte da minha família e estão muito bem de saúde”, conta.
Para Kesley Santos de Franca, de 35 anos, fazer parte de uma corrente de solidariedade não tem preço. A doação aconteceu sete anos depois que fez seu cadastro. Foram vários exames de triagem para confirmação da compatibilidade e, mesmo com medo e incertezas, sabia que estava no caminho certo.
“A doação não é processo solitário, não caminhamos sozinhos. Tive o apoio de muitas pessoas. Em nenhum momento é exigido nada. Tudo é feito na liberdade. Vou conhecer meu doador no dia 13 de maio, mas a única coisa que sei é que ele mora fora do Brasil. Penso nessa pessoa todos os dias. Estou ansiosa para saber se o transplante deu certo e como ela está”, conta emocionada.
Kesley Santos de Franca com a medula que foi doado no dia da sua cirurgia.
Foto: (arquivo pessoal)
Os dados cadastrados são cruzados com o Rereme (Registro Nacional de Receptores de Medula Óssea), banco de dados que contém as informações de pacientes que necessitam de transplante de medula óssea e não possuem doador compatível na família.
Transplante de sucesso
Mariana completa em julho três aninhos e já tem uma história de superação para contar para muita gente grande. Hoje ela está ótima, mas, quando tinha um ano, acordou com o olho vermelho e após algumas horas todo seu rosto estava inchado, seus pais correram para o hospital. Ficaram nove dias na UTI e descobriram que sua medula havia parado de funcionar. “Ela estava com apenas 5% da medula funcionando, suscetível a qualquer doença. Ela teve a anemia aplásica, uma doença rara e grave em que a medula óssea pára de produzir células sanguíneas suficientes. Fomos transferidos para São Paulo e ela passou por várias intercorrências até que, após três meses de internação, nos falaram que haviam encontrado uma doadora 100% compatível na Polônia”, conta Patrícia Luiz Melo, mãe da pequena Mariana.
Mariana hoje está ótima de saúde e em breve vai encerrar o tratamento imunossupressor em junho.
Foto: (arquivo pessoal)
O transplante foi realizado com sucesso e a família ainda permaneceu durante dois meses no hospital para aguardar a “pega” da medula. Agora no fim de maio, encerra o prazo de sigilo para conhecer a doadora. “Estou ansiosa para agradecê-la pessoalmente. A única coisa que sei é que ela é uma mulher de 29 anos”, afirma Patrícia.
O Redome reúne informações de pessoas dispostas a doar. Quando um paciente precisa de transplante e não tem doador na família, o Redome procura compatibilidade no banco nacional e no internacional. É importante manter o cadastro atualizado no site do Redome (redome.inca.gov.br) para que eles possam entrar em contato no caso de compatibilidade.
Serviço
No dia 23 de maio, a campanha acontece das 9h às 14 horas, na sede do Grupo em Defesa da Criança com Câncer (Grendacc) e terá a participação grupo Vozes da Rua da Faculdade de Medicina de Jundiaí que irá oferecer vários exames para toda a população, como aferição de pressão, glicemia e aconselhamento em várias áreas.