OPINIÃO

UrbVerde na Escola


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Todos precisamos de educação ambiental. Estejamos ou não na escola. Tenhamos qualquer idade. O conhecimento sobre ecologia e como suportar as emergências climáticas exigem que sejamos cada dia mais conhecedores do mundo em que vivemos.

A USP, a maior e melhor universidade brasileira, não descuida do tema. Tanto que elaborou uma Cartilha “UrbVerde na Escola”, com apresentação de plataforma atualizada e mais intuitiva para apoiar todos os interessados. Essa cartilha contém informações métricas socioambientais de todos os 645 municípios do Estado de São Paulo.

Há duas tendências que precisam ser combatidas nessa área. A primeira é achar que os fenômenos climáticos são naturais. Não são. Eles resultam de um insano comportamento da sociedade humana. Quem continua a expelir gases venenosos, causadores do efeito-estufa, está a colher os verdadeiros cataclismos que hoje sacodem o mundo inteiro.

A segunda é achar que os problemas são de tamanha magnitude, que só governos é que podem enfrentá-los. Não é verdade. Há condutas individuais que, coordenadas e focadas em metas estabelecidas pelos cientistas, podem mitigar as condições adversas deste planeta, que hoje responde à nossa insensatez.

Um conjunto de ações coordenadas precisa ser implementado com urgência e seriedade, para que os impactos não causem mais mortes e prejuízos irreparáveis. Políticas públicas eficientes, inovações tecnológicas, tudo é válido. Mas o mais importante é a mudança de comportamento.

Para que as pessoas se convençam a alterar seus hábitos, as plataformas de análise ambiental são valiosas ferramentas. Fornecem dados precisos, atualizados e acessíveis. Ajudam na tomada de decisões mais conscientes e eficazes para adaptar as cidades aos inevitáveis efeitos das emergências.

A cartilha UrbVerde na Escola está disponível para download gratuito no Portal de Livros Abertos da USP, acessível a todos os interessados. O diálogo a ser travado no âmbito das soluções de construção da resiliência dos municípios deve ser interdisciplinar. Distintas áreas do conhecimento são necessárias: Ciências da Natureza, Ciências Humanas e Sociais Aplicadas, Linguagens e suas Tecnologias. Tudo serve para gerar uma consciência ecológica responsável.

Um excelente exercício é convocar cidadãos de uma família, ou de uma vizinhança, colegas de serviço, fieis da mesma crença, para estudar as questões que afligem a rua, o bairro, a cidade. Muitas vezes as pessoas não conhecem os espaços de seu próprio município. Abre-se um novo mundo e um olhar mais amplo quando se consegue explorar e transformar lugares, tornando-os mais qualificados e mais agradáveis.

Toda cidade precisa de mais árvores, de mais jardins, de maior cobertura vegetal. Precisa de mais limpeza e isso começa dentro de casa. Precisa restaurar os rios e córregos abandonados, recuperar as áreas degradadas. Com isso, a cidadania vai adquirindo conhecimento sobre fenômenos como ilhas de calor, densidade de cobertura vegetal (PCV) e disponibilidade de espaços verdes.

Participar ativamente da vida na cidade é um compromisso patriótico e um caminho para a implementação da desejável Democracia Participativa. Dá trabalho, mas também gera satisfação íntima. Orgulho por ser alguém que interfere e colabora para tornar melhor a sua própria vida e a de todos os seus semelhantes.

Procure conhecer a UrbVerde e veja quanta coisa pode ser feita em sua cidade, inclusive por iniciativa sua. Participar do aprimoramento do convívio no lugar em que se vive é algo que valoriza a existência e permite concluir que o projeto humano é um sucesso e não um fracasso.

José Renato Nalini é Reitor da UNIREGISTRAL, docente da Pós-graduação da UNINOVE e Secretário-Executivo das Mudanças Climáticas de São Paulo

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