OPINIÃO

Quem se lembra de Eloy Chaves?


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Hoje, ao se perguntar a alguém se conhece Eloy Chaves, dirá que sim. É um bairro florescente, que surgiu nas fraldas da Serra do Japi, um santuário ecológico a merecer mais proteção e atenção do Poder Público. Nos três níveis da complexa e bizarra Federação Brasileira.

Eloy de Miranda Chaves nasceu em Pindamonhangaba, em 27 de dezembro de 1875 e morreu em São Paulo, em 18 de abril de 1964. Foi Deputado Federal em várias legislaturas e ocupou a Secretaria da Justiça e da Segurança Pública de São Paulo, entre 1913 e 1918, sucedendo a Rafael de Abreu Sampaio Vidal e sendo sucedido por Herculano de Freitas. Era governador do Estado o acadêmico Altino Arantes.

Estudou na São Francisco, foi casado com Almerinda Pereira Chaves e seus filhos foram Vail Chaves e Antonieta Chaves Cintra Gordinho. Antes da Câmara Federal, foi Promotor Público em São Roque, depois advogou em Jundiaí, onde se radicou. Em 1897 elegeu-se vereador em nossa cidade e, lançando-se candidato à Câmara Federal em 1902, logrou êxito. Foi reeleito mais três vezes, até que Rodrigues Alves o convidou para o Secretariado, permanecendo na gestão Altino Arantes.

Em 1917, enfrentou uma grande greve que fez paralisar um contingente de mais de setenta mil operários. Voltou à Câmara Federal e, sob inspiração da greve, foi autor de um projeto de lei que deu origem à Previdência Social no Brasil. Por isso é chamado de “Pai da Previdência”.

Fundou em Jundiaí a primeira Companhia de Força, depois ampliando sua atuação por todo o interior paulista. Vendeu-a, em 1927, para a Light. Banqueiro, foi grande cafeicultor, inclusive na Fazenda Ermida, que é um patrimônio histórico de nossa cidade.

Mas tudo isso veio a propósito de menção que Humberto de Campos faz a Eloy Chaves no seu “Diário Secreto”.  Começa por descrever fisicamente o nosso herói: “Louro, vermelho, rosto empoado como quem acabou de barbear-se, terno de casimira clara corretamente posto, como quem acaba de sair do alfaiate. Eloy Chaves comenta comigo, na Câmara, com a sua vivacidade alegre de homem feliz, os acontecimentos do Rio Grande do Sul. Notícias dali dizem que o ex-presidente Borges de Medeiros, com sua autoridade de chefe do partido, acaba de vetar o plano revolucionário preparado pelos elementos novos, especialmente João Neves, Osvaldo Aranha e Flores da Cunha”.

Agora, a palavra está com Eloy Chaves:

“Quando o Conselheiro Rodrigues Alves foi eleito pela segunda vez Presidente da República, eu era seu Secretário do Interior, no Governo de São Paulo. Na véspera do dia em que ele devia passar o Governo do Estado ao Altino Arantes, eu fui despachar com ele, e, ao terminar, ele me disse, pausadamente, como quem dá um conselho, disfarçando o intuito:

“Os senhores que vão governar com o Altino, saltaram por cima de uma geração. A responsabilidade que vão assumir é grande, e eu lhes entrego a política do Estado com uma preocupação: é que os senhores não tenham homens “breaks”, para lhes deter no momento oportuno as paixões e os entusiasmos da mocidade”. E conclui:  “O Dr. Borges é uma dessas entidades providenciais em política: é o homem “break”, que trava o carro à margem do despenhadeiro”.

Uma cidade com a dimensão de Jundiaí, deveria promover semanas de homenagem e reverência a vultos como Eloy de Miranda Chaves, hoje esquecidos, embora merecedores de toda a veneração. Assim como ele, Jundiaí possui figuras inesquecíveis, que forasteiros desconhecem, mas que é obrigação do Poder Público eternizar, para que as novas gerações saibam que houve seres humanos fabulosos, artífices dos alicerces que geraram esta grande potência municipal.

José Renato Nalini é Reitor da UNIREGISTRAL, docente da Pós-graduação da UNINOVE e Secretário-Executivo das Mudanças Climáticas de São Paulo

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