A falta de uma educação de qualidade, que forme cidadãos, em lugar de transmitir informações que, na vida prática, de nada valerão, faz com que a gestão pública brasileira – salvo raríssimas e honrosas exceções – patine em mediocridade.
Excesso de partidos, excesso de “Fundos”, excesso de emendas, tudo se antagoniza com a completa ausência de interesse por temas que poderiam transformar a face do Brasil.
O nepotismo partidário, a apropriação temática de partidos que passam a defender apenas um setor, tudo isso compromete a administração estatal, cujo horizonte – lamentavelmente – é a data das próximas eleições.
Isso não é de hoje. Quantas vezes a História não registra a incrível conquista de cargos relevantes por pessoas desprovidas de talento, de experiência e, pior ainda, de ética? Esta, a matéria-prima de que mais se ressente esta terra, foi esquecida em todas as atividades que deveriam cuidar dos interesses maiores da população.
Às vezes, perde-se um grande vulto e, em seu lugar, a sorte – no caso, a má sorte... – traz alguém que não corresponde às necessidades do povo. Foi o que aconteceu com a morte do antigo diplomata e republicano histórico Ciro de Azevedo, que fora eleito governador de Sergipe. Isso fez com que chegasse à mais alta função sergipana, “para impedir uma luta de grupelhos que exploravam politicamente aquela terra infeliz, um coronel matuto, de nome Manuel Dantas”. Essa é a descrição de Humberto de Campos, que acrescenta, sobre a criatura, que seu apelido era “Manuel Caroço”.
Como aquele tempo a capital era o Rio de Janeiro, logo cuidou de viajar para lá. E se converteu em bobo alegre nas mãos de Gilberto Amado e Lopes Gonçalves, então senadores, de Gracho Cardoso e Gentil Tavares, deputados e de Hermes Fontes, candidato à deputação.
É Humberto de Campos quem fala: “E como são, alguns deles, ou quase todos, indivíduos para os quais a política é um prostíbulo, não acharam lugar melhor para levar o velho do que as numerosas casas de “rendez-vous” do Rio de Janeiro, pelas quais andaram a arrastar, com o bolso repleto de dinheiro, a figura exótica do ancião – figurinha miúda, esmirrada, chocha, de boca sem dentes e queixo enfeitado por cavanhaque ralo, de roceiro de comédia”.
Tal espetáculo, com poucas variações, não deixa de acontecer ainda hoje. Brasília é um equívoco. Deveria copiar o Chile, que separa a sede dos Poderes, para que não haja promiscuidade.
Quando se concentra tudo em um só lugar, o resultado é o convescote permanente em que à noite, “como todos os gatos são pardos”, sejam resolvidos os negócios que, durante o dia, parecem antagonizar representantes de partidos e interesses distintos, mas que se unem quando todos podem tirar vantagem.
Quem é que pode afirmar que no Distrito Federal não aconteçam espetáculos lastimáveis de devassidão, de utilização fortuita de pobres diabos, explorados por espertalhões que fazem da política o seu sustento, mas que não guardam qualquer boa intenção de servir aos excluídos, aos marginalizados, aos invisíveis.
Quando é que os Partidos, que devem ser resumidos a poucos – e isso seria suficiente – irão cuidar de formar uma juventude sequiosa de seriedade e de moralidade na política?
José Renato Nalini é Reitor da UNIREGISTRAL, docente da Pós-graduação da UNINOVE e Secretário-Executivo das Mudanças Climáticas de São Paulo.