OPINIÃO

Minhas meninas da redação


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Sou mãe de uma menina linda, de 23 anos, independente, boa profissional, joia rara. De outro, de 27, rapaz bacana mesmo, generoso, trabalhador. Mas hoje eu quero falar das minhas meninas daqui da redação do JJ.

Nesta última semana, Luana Nascimbene, nossa editora de Esportes foi navegar por outras redações. Ficou comigo por cinco anos. Quando chegou, mal sabia andar por Jundiaí e desconhecia até o Mercadão Municipal. Simone, nossa editora daqui, tratou logo de colocar a menina no eixo - jogando para a reportagem geral, que é onde a gente aprende jornalismo na prática. Lulu, como eu a chamo, era uma menina doce. Saiu daqui uma jornalista de faro apurado, sarcástica, esperta, ótima profissional. É claro que eu chorei um pouco, mais pela sua ascensão profissional do que pela perda. Para mim, elas são como minhas filhas - e desejo sempre muito sucesso. Se sou uma mãe coruja, imaginem como sou também coruja com minhas profissionais.

Outra garota que ficou comigo sete anos foi a Mariana Checconi, um doce, elegante, texto impecável. Tratei-a como filha também, dura e incentivadora. Dei uns puxões de orelhas para melhorar a saúde física, mas Mari tinha um texto delicioso, um jeito maravilhoso de levar o dia a dia, uma querida. Saiu para dedicar-se a outro dom, a literatura. 
Nathalia é outra conversa. Só está aqui porque insistiu que eu a atendesse na portaria, tendo seu currículo impresso embaixo dos braços.  Foi me recomendada por um professor da Unesp Bauru e veio, como é de seu feitio, com sangue nos olhos pela reportagem, pelo furo jornalístico. Embora baixinha, é durona, bocuda, mas entrega, como entrega! É responsável por todas estas matérias com apuração de dados, lei de acesso à informação, compra briga mesmo em prol do cidadão. Uma pérola rara no jornalismo de agora.

Temos outras profissionais excelentes aqui, mas de uma outra geração. O que me chama a atenção é que - diante de tantos relatos desta geração nem nem - há tantos talentos a serem descobertos por aí. Eu sou exemplo vivo de como as meninas que chegam aqui para estagiar se tornam excelentes profissionais anos adiante. Exemplos de bom caráter, garra e amor ao jornalismo. É uma honra, para mim, tê-las ao meu redor.

A gente sabe que a educação é deficiente no país. As crianças passam de ano sem saber ler e escrever. Não raro, aos 11 anos, mal sabem assinar seus nomes. As faculdades têm de dar conta desta deficiência, mas não dão. Os pais, mais atentos e com remuneração melhor, pagam escolas privadas para que este déficit não seja tão grande. E ser profissional inclui também uma educação emocional que, muitas vezes, os pais não estão dispostos a entregar, com dedicação e tempo para os filhos.

Por isso, me sinto uma privilegiada. Minhas meninas estão voando por aí. Alguns meninos também.  Elas estão dando um show de resiliência, eficiência e compromisso. Se eu pudesse prever os próximos dez anos de jornalismo, diria que vai ser uma profissão feminina. Porque é preciso garra, bravura, honestidade e compromisso. 
Quando ficar idosa, quero crer que muitas delas também serão editoras-chefes e executivas da informação, tirando essa primazia dos homens na direção de redações e da comunicação. Se o mundo quer melhorar, apoiem-se nas mulheres!

Ariadne Gattolini é jornalista e escritora. Pós-graduada em ESG pela FGV-SP, administração de serviços pela FMABC e periodismo digital pela TecMonterrey, México. É editora-chefe do Grupo JJ 
           

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