Existem muitas pessoasvitimistas,isto é,aquelas que sempre se consideram injustiçadas. Essa postura é muitoprejudicial pois as aprisiona e estaciona, fazendo com que não evoluam espiritualmente. A Doutrina Espírita nos explica que somos sempre nós os responsáveis pela nossa condição. Todos passamos por adversidades e situações difíceis e a causa é exclusivamente pelas nossas escolhas desta ou de pretéritas encarnações. Isso não é um castigoeocorre sempreque necessáriopara o nosso melhor aprendizado e progresso como seres imortais.
Na vitimização, ocorre a tentativa de transferênciada culpa de seus problemas e a responsabilidade de seus próprios erros, falhas ou sentimentos negativos para os outros ou para fatores externos. Esse péssimo hábito reflete uma inferioridade moral e possui alguns aspectos: Projeção: apontar facilmente os erros dos outros enquanto ignora os próprios.Manipulação: fazer a vítima sentir-se culpada para desviar a atenção do agressor.Distorção: mudar o foco para você, te colocando na defensiva, para que o agressor se esquive da responsabilidade.Justificativa: usar o outro como desculpa para comportamentos inadequados ou problemas pessoais.
Porque alguns querem permanecer no vitimismo? Porque a vítima não tem compromisso com a própria vida e nem com a mudança do mundo. O vitimista tem a ideia absurda de que está sempre certo e de que não precisa mudar, pois são sempre os outros que estão errados. Ele fica cego, perde o discernimento e a capacidade de avaliação racional das situações.
Todo o Universo está submetido às leis de Livre-arbítrio e Causa e Efeito, segundo O Livro dos Espíritos: “Todas as nossas ações são submetidas às leis de Deus; não há nenhum ato, por mais insignificante que nos pareça, que não possa ser uma violação dessas leis. Se sofremos as consequências dessa violação, não nos devemos queixar senão de nós mesmos, que desse modo nos tornamos os artífices de nossa felicidade ou de nossa infelicidade futuras.”
Se uma pessoa quer evoluir, ela precisa sair do papel de vítima e não mais acreditar que os outros a prejudicam, mas sim que é ela própria que se prejudica, entendendo que cada um é o artífice do seu progresso.Deve usar palavras positivas, largar o vitimismo e a reclamação, assumir a responsabilidade por tudo o que lhe acontece e ter consciência que nenhuma solução está fora do seu ser. Deve agradecer e pedir forças para suportar as provas que tem a superar e guardar o aprendizado que cada uma delas oferece para que não repita os mesmos equívocos. Quando toma consciência de que ela é a criadora da sua realidade, sai da condição do vitimismo.
José Herculano Pires nos ensina: “Reformule o seu conceito de si mesmo. Você não é um pobrezinho abandonado no mundo. Os próprios vermes são protegidos pelas leis naturais. Por que motivo só você não teria proteção? Tire da mente a ideia de pecado e castigo. O que chamam de pecado é o erro, e o erro pode e deve ser corrigido. Corrija-se.”
Eduardo Battel é médico urologista, expositor Espírita e Coordenador da Liga de Medicina e Espiritualidade da FMJ