Estive fazendo uma palestra sobre Regularização Fundiária, tema que enfrentei durante a Magistratura e para o qual tentei oferecer o melhor tratamento, quando ocupei a Corregedoria Geral da Justiça de São Paulo.
O município sede do encontro “Cidade Legal” foi a aprazível Santo Antônio do Pinhal. Prefeitos e registradores de outras cidades também lá estavam e o encontro foi muito bem-sucedido. Uma das responsáveis pelo evento foi a registradora Cecilia Luz Pacheco, de São Bento do Sapucaí e de Santo Antônio do Pinhal, Felipe Vidal e Michele Cunha, do IGR, empresa mineira que se encarrega da operacionalidade da Regularização Fundiária nos municípios e Rafael D’Avila, registrador de Rio Branco.
O que mais me impressionou foi a maneira profissional como Santo Antônio do Pinhal trata de seu turismo. Não é mero marketing por se chamar “Cidade Encantadora”. São detalhes muito importantes que mostram o empenho do Poder Público, em colaboração com a sociedade civil, para fazer daquela cidade, bem próxima a Campos do Jordão, uma estância até mais requintada do que esta cidade que ganhou muitas moradias irregulares nas últimas décadas.
Desde a entrada da cidade, verifica-se uma arborização bem cuidada, calçadas para ciclistas e pedestres e, em todo o percurso, hortênsias em plena floração. Não é “uma ou outra” planta. São inúmeras e em todos os espaços. Nas vias públicas e também nas residências.
Todas as entradas de restaurantes, de condomínios, de propriedades rurais, recebem um tratamento consentâneo com o “encanto” da cidade, tudo pitoresco, estético, arborizado e florido.
Penso na diferença aqui em nossa cidade. Fala-se em “Circuito das frutas”, ou das cantinas. Só que entre uma e outra cantina, bem separada de outra, há borracharias, há construções toscas, residências sem reboco, sem verde e sem flores.
Nada obstante a ascendência italiana, parece que não aprendemos a deixar as residências mais bonitas, que sirvam para fotos e que agradem a visão. Falta consciência cidadã, mas também parece faltar incentivo de parte do Poder Público. O turismo é uma indústria poderosa. Salvou a Espanha, que estava em declínio e recuperou sua economia tratando bem os turistas mas, principalmente, deixando as suas cidades bonitas, limpas, esteticamente atraentes e sedutoras.
Não custaria muito incentivar os proprietários a se ajustarem a padrões estéticos e arquitetônicos que devolvessem à “Terra da Uva” aquela tradição de plantio, de cozinha italiana autêntica, de fabricação de vinho caseiro. É preciso profissionalismo e estímulo, além de educar a população para que escolha o bonito, porque este não é mais dispendioso do que o feio. Ao contrário, se a cidade vier a mostrar-se atrativa, muitos serão os paulistanos – estamos a cinquenta quilômetros da maior cidade do Brasil e da América Latina – só em São Paulo, são 13 milhões de habitantes. Se considerarmos a conurbação da grande mancha contígua, são mais de 22 milhões de almas. Ou seja: mais da metade da população do Estado está muito próxima a Jundiaí.
Se soubermos dar um trato à paisagem, o que não custa caro, faz bem para a vista e para a mente, conseguiremos muito mais em termos de turismo. Mais empregos, mais ocupações, mais vocações, mais renda para todos.
Dá inveja constatar que uma cidade pequena, como Santo Antônio do Pinhal, soube se tornar tão atraente e que nossa gigantesca terra de Petronilha não sabe aproveitar o que tem. Tudo espalhado, separado por construções toscas e feias. Sem qualquer capricho e com expulsão para longe de qualquer proximidade com o bom gosto.
Ainda é tempo. Quem poderia liderar uma campanha como essa? Nossa cidade e nossa gente só teriam a ganhar.
José Renato Nalini é Reitor da UNIREGISTRAL, docente da Pós-graduação da UNINOVE e Secretário-Executivo das Mudanças Climáticas de São Paulo