OPINIÃO

As dificuldades para 2026 


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O ano de 2025 terminou sem impossível celebrar a evolução da economia brasileira. Para não ser repetitivo, apenas lembrando alguns números relevantes para o País. Tivemos, mais uma vez, um crescimento econômico medíocre, de 2,0 % a 2,2 %, isso, em decorrência do excepcional desempenho dos agronegócios, quase que isoladamente, quando verificamos o baixo desempenho da indústria e do setor de serviços. Outros fatores que contribuíram para que esse número não registrasse um pior desempenho se deve ao excesso de gastos públicos, que custaram um déficit primário do Governo de aproximadamente R$ 75 a R$ 80 bilhões. As emendas parlamentares, da ordem de cerca de R$ 60 bilhões, também ativaram investimentos nos estados e municípios.

O déficit primário de R$ 80 bilhões, mais os juros sobre a dívida interna, de R$ 1,0 trilhão, se somaram ao montante de uma dívida bruta do governo, próxima de R$ 10,0 trilhões, ou seja, de aproximadamente 80 % do PIB – Produto Interno Bruto.

Os juros básicos – a SELIC -, terminaram o ano em 15,0 % ao ano, condicionante que trava os investimentos privados e sobreonera o custo financeiro para rolagem da dívida governamental.
Para celebrarmos, só restou o baixo nível  de desemprego da PEA – População Economicamente Ativa, de 4,6 %.

Mas, olhando para um breve futuro, já estamos caminhando em 2026 e, sem futurologia tendenciosa, o que temos pela frente: dois fatos relevantes que interferem na atividade econômica da República. A Copa do Mundo na metade do ano e, em outubro, as eleições para presidência. O presidente da República tenderá a aumentar os gastos sociais e gerar, mais uma vez, déficits primários no Orçamento Público (sem os juros sobre a dívida interna), aumentando a dívida bruta,  podendo inviabilizar a previsível queda da taxa da SELIC, o que seria fundamental para a atividade econômica do País.

Diante da realidade acima, o cenário projetado para o crescimento da economia brasileira neste ano, se coloca abaixo de 2,0 %.

Enquanto o FED – Federal Reserve, o Banco Central dos Estados Unidos projeta reduzir um pouco mais a taxa básica dos juros, no Brasil, a gestão econômica do Governo dificulta que o Banco Central do Brasil possa reduzir os juros.

Essa realidade favorece aos rentistas em suas aplicações financeiras e pune os devedores – empresas e pessoas físicas, que pagam juros elevados, o que vem provocando um crescente número de inadimplentes. A consequência é que há um processo de aumento da concentração da renda em poder de poucos e a pobreza sendo ampliada no País.

Messias Mercadante de Castro é professor de economia do Unianchieta, Membro do Conselho de Administração da DAE S/A e Consultor de Empresas

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