O Instituto Agronômico confirmou a morte do pesquisador aposentado Luiz D’Artagnan de Almeida, ocorrida em 2 de janeiro de 2026. Referência na pesquisa agropecuária, ele ficou nacionalmente reconhecido por conduzir o processo de avaliação e difusão do feijão carioca, variedade que se tornou símbolo da alimentação brasileira.
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D’Artagnan ingressou no Instituto em 1967, vinculado à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, onde construiu toda a sua trajetória profissional até a aposentadoria, em 2002. Ao longo de décadas de atuação, integrou a antiga Seção de Leguminosas, participando de estudos que impactaram diretamente a produção agrícola e o consumo de alimentos no país.
A história do feijão carioca dentro do IAC começou ainda antes de sua entrada formal no Instituto. Em 1966, o engenheiro agrônomo Waldimir Coronado Antunes, então chefe da Casa de Agricultura da CATI, encaminhou ao IAC amostras de um feijão de grãos listrados. O material passou por análises técnicas conduzidas por D’Artagnan, ao lado dos pesquisadores Shiro Miyasaka e Hermógenes Freitas Leitão Filho, responsáveis pelas primeiras avaliações agronômicas e culinárias da cultivar.
O passo decisivo ocorreu em 1969, quando a variedade Carioca foi oficialmente lançada, sob a responsabilidade direta de Luiz D’Artagnan de Almeida. A cultivar passou a integrar o projeto de produção de sementes básicas da CATI, o que viabilizou sua disseminação em larga escala pelo estado de São Paulo e, posteriormente, por todo o país.
Na década de 1970, com a criação do Programa de Melhoramento Genético do Feijão, o potencial da variedade foi ampliado. O resultado foi um avanço significativo em qualidade e produtividade, consolidando o feijão carioca como o mais consumido do Brasil, hoje responsável por cerca de 66% do consumo nacional. O impacto dessa inovação transformou o mercado e influenciou diretamente os hábitos alimentares da população.
Pelo papel decisivo nesse processo, Luiz D’Artagnan de Almeida passou a ser chamado, de forma carinhosa, de “pai do Carioquinha”. Ao longo da carreira, recebeu diversas homenagens, reconhecimento à contribuição científica que deixou como legado para a agricultura brasileira e para a segurança alimentar do país.