ENTRELINHAS

Furto, críticas, reunião da CEI adiada: ano político recomeça!

da Redação
| Tempo de leitura: 3 min

Furto sem controle

O furto à casa do vereador Junior Rodrigues (PSD) carrega uma ironia difícil de ignorar: o mesmo parlamentar que convocou Audiência Pública para discutir a escalada dos furtos em Bauru acabou vítima do crime que tenta combater. O episódio, ocorrido enquanto a família dormia, transforma a proposta de reduzir a criminalidade em vivência concreta e expõe a insegurança como um problema que atravessa cargos, bairros, classes sociais etc e pressiona o poder público por respostas.

Críticas ao Executivo

Após a retirada das respostas enviadas aos questionamentos da CEI da Sucata, os vereadores Estela Almagro (PT) e Márcio Teixeira (PL) fizeram críticas ao que entenderam como desrespeito da Prefeitura de Bauru. Para a parlamentar, os processos não podem ser retirados do Legislativo quando o Executivo bem entende, sem a apresentação de um ofício com uma justificativa adequada. Para ambos, a iniciativa prejudicou os trabalhos do colegiado, na manhã desta segunda-feira (5), quando haveria uma reunião ordinária.

Oitiva adiada

As respostas foram protocoladas na Casa de Leis no dia 29 de dezembro passado, mas retiradas no dia seguinte sob a justificativa de que havia sido protocolado o processo físico original, não uma cópia, e que algumas informações ainda seriam acrescentadas. Por conta da situação, a oitiva da presidente da Emdurb, Gi Magrini foi adiada para a próxima sexta (9). A comissão deu prazo de 72 horas para o envio dos documentos.

Venezuela e eleição

A captura de Nicolás Maduro por ordem do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, já influencia o debate eleitoral no Brasil. O episódio virou discurso político, sendo explorado por lideranças da direita como símbolo de derrota da esquerda, enquanto aliados do governo criticam a ação apontando os interesses de Trump no petróleo da Venezuela e na intenção de uma nova ‘colonização’ da América Latina. O tema tende a acirrar ainda mais a polarização entre direita e esquerda ao longo das eleições deste ano.

Tom do governador

Tanto que o vídeo de Tarcísio de Freitas (Republicanos) sobre a captura de Nicolás Maduro foi lido no meio político como peça eleitoral antecipada. Ao denunciar a ditadura venezuelana, o governador mirou Lula e a esquerda, adotando tom presidenciável que agradou bolsonaristas. A estratégia rendeu engajamento e expôs o tom que será adotado no próximo pleito.

Coluna do meio

Já o secretário de Governo e Relações Institucionais do governador paulista, Gilberto Kassab, que também é presidente nacional do PSD, escreveu que é hora de aplaudir o fim da ditadura e saudar os novos tempos da Venezuela. Sem citar Trump, Maduro, Lula ou Bolsonaro, ele evitou alinhamento explícito para preservar pontes nos dois polos (direita e esquerda), nos quais transita. Também foi contida a manifestação da prefeita de Bauru, Suéllen Rosim (PSD).

Calibrado

A chefe do Executivo se limita a desejar “liberdade e reconstrução” para a Venezuela e o fim da ditadura, o que reduz riscos de desgaste fora da base conservadora. Isso no feed do Instagram. Já a primeira mensagem, no story do Instagram, contou viés mais político e religioso, inclusive com citação bíblica exaltando os “justos”, mantendo fidelidade ao seu eleitorado.

Humanitária

Entre os vereadores, apenas os dois mais políticos, Estela Almagro (PT) e Eduardo Borgo (Novo), que justamente estão em campos opostos distintos, comentaram o assunto. Para ele, a crise venezuelana deixou de ser um debate ideológico e passou a ser uma questão humanitária. Entende que, diante do colapso institucional e da supressão de direitos, uma administração temporária externa não significaria dominação, mas um caminho para reconstruir instituições, restaurar a democracia e devolver o poder ao povo, desde que haja planejamento, articulação internacional e foco na dignidade humana.

Soberania

A posição de Estela Almagro é de condenação à intervenção dos EUA, que ela classifica como violação grave da soberania nacional e do direito internacional. Para a vereadora, o sequestro de Nicolás Maduro não pode ser relativizado como disputa ideológica, mas representa um precedente perigoso para toda a América Latina. A parlamentar ressalta que foi motivado por interesses econômicos, especialmente o petróleo, e não pela defesa da democracia. Estela defende a autodeterminação dos povos e rejeita qualquer forma de administração externa ou imposição bélica.

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