OPINIÃO

A esperança que peregrina e nos faz família


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Na Missa de encerramento do Ano Jubilar de 2025, celebrada em nossa Diocese de Jundiaí, partilhei com o Povo de Deus uma convicção que atravessou todo o caminho jubilar: somos amados por Deus e por Ele escolhidos. Retomo agora, em forma de reflexão, alguns elementos daquela homilia, como forma de agradecer, fazer memória e, sobretudo, apontar horizontes.

Desde o final de 2024, ainda inspirados pelo magistério do saudoso Papa Francisco, fomos convocados a viver este Ano Santo como peregrinos de esperança. Não se tratava de um simples calendário comemorativo, mas de um chamado à conversão pessoal, comunitária e eclesial. Abrir as portas do coração, colocar-se a caminho e deixar-se renovar foram atitudes que procuramos cultivar ao longo de todo o Jubileu.

Durante esse percurso, nossa Diocese viveu um tempo particularmente fecundo. Celebramos 37 jubileus diocesanos, envolvendo praticamente todas as pastorais, movimentos e expressões da vida eclesial. Percorremos cidades, visitamos paróquias, encontramos comunidades e partilhamos momentos que fortaleceram a comunhão entre leigos, presbíteros, diáconos, seminaristas, religiosos e religiosas. Mais do que eventos, foram experiências de Igreja viva, unida e em saída.

Na homilia de encerramento, recordei que Maria, José e o Menino Jesus não permaneceram parados diante da perseguição de Herodes. Colocaram-se a caminho, confiantes na proteção de Deus. Essa imagem iluminou nossa caminhada jubilar: também nós fomos chamados a não nos deixar paralisar pelas dificuldades, mas a seguir adiante, sustentados pela esperança que nasce da fé.

Ao contemplarmos a Sagrada Família, especialmente neste tempo do Natal, compreendemos que o verdadeiro espírito de família não se constrói na ausência de problemas, mas na confiança mútua, na perseverança e no amor que se fortalece nas provações. Uma Igreja verdadeiramente familiar aprende a sofrer com quem sofre, a alegrar-se com quem vence, a corrigir com caridade e a cuidar uns dos outros com paciência e misericórdia.

Vivemos, porém, em um mundo marcado por divisões, discursos de ódio e relações cada vez mais mediadas pela virtualidade. Naquela celebração, fiz um apelo claro: precisamos trocar a virtualidade pela fraternidade. Likes não substituem abraços; mensagens não substituem encontros. As telas se apagam, mas o afeto vivido na convivência permanece e gera esperança. O presépio nos ensina que é no encontro concreto que Deus se revela.

Como bispo, sinto-me profundamente agradecido por caminhar com esta Diocese que se descobre, cada vez mais, uma família. Às vezes como pai, outras como irmão, mas sempre integrado à mesma mesa, onde nossas diferenças não nos afastam, antes nos enriquecem. O Ano Jubilar nos deixou frutos visíveis e sementes ainda em crescimento.

Encerramos este tempo forte com a certeza de que a esperança não é uma ideia abstrata, mas uma construção coletiva. Sigamos adiante, como família diocesana, caminhando juntos, testemunhando o Evangelho com alegria.

Que Nossa Senhora do Desterro, nossa Santa Padroeira, nos ajude a manter acesa a chama da esperança, e que a Sagrada Família de Nazaré inspire continuamente nossa caminhada, para que todos encontrem, em nossa Igreja, o caminho da luz e da vida plena.

Dom Arnaldo Carvalheiro Neto é bispo diocesano

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