Jundiaí já teve dois quartéis. O QG da AD2 – Quartel General da Artilharia Divisionária da Segunda Divisão do Exército, situado em plena rua do Rosário, na Praça Rui Barbosa, em frente àquela entidade que se chamava Gabinete de Leitura “Rui Barbosa”. Essa unidade foi transferida para Campinas.
O segundo quartel se chamava GO – Grupo de Obuses acho que 105 mm. Depois passou a se chamar 12º GAC – Grupo de Artilharia de Campanha. Agora se chama 12º GAAAe - 12º Grupo de Artilharia Antiaérea.
Quantas recordações dos quartéis. Generais que por aqui passaram deixaram marcas: Cesar Montagna de Souza, Oziel Almeida Costa, Alcy Jardim de Mattos. No GO, Coronel Luiz Carlos Domingues, Coronel Madureira, pai e filho, tanta gente prestante e patriótica por aqui já passou.
Sou reservista de terceira categoria, pois à espera do exame médico, no momento de minha apresentação ao Exército, o major médico verificou que eu tinha varizes e me dispensou. Fiz três cirurgias para remover varizes. A primeira, no Hospital do Sesi, quando diretora a inesquecível Vitória Furlan de Souza. O médico era Bolívar, então marido da Irede Cardoso. Fiz outra em Campinas, quando estudava direito lá. A terceira, já em São Paulo, com o dr. Lobato, sobrinho da dra. Angelita Gama, hoje minha confreira na Academia Paulista de Letras.
Mas o que interessa é que o nosso GO, depois 12º GAC, será a base de defesa antiaérea do Brasil. Vai receber armamento especializado como mísseis que podem alcançar 15 km de altura. Jundiaí foi escolhida por sua posição de estratégia de logística. O velho quartel fica às margens da rodovia Anhanguera, a menos de 50 km do rodoanel Mário Covas e com fácil acesso à Baixada Santista.
Jundiaí vai ser o local responsável por repelir eventuais ataques aéreos à capital paulista, ou de polos econômicos importantes, como Campinas e Sorocaba.
A mudança para Jundiaí já teve início, conforme reportagem de Fábio Pescarini, na FSP de 15 de outubro último. Já se transferiram para o quartel alguns equipamentos de baixa altura para treinamento e capacitação de militares. Sem dúvida, isso trará para a nossa cidade militares especializados em áreas estratégicas. O relacionamento entre os comandantes do GO, depois do GAC e, antes, da AD2, sempre foi o melhor possível.
No meu tempo de jovem, era uma honra e uma glória servir ao Exército Nacional. Hoje, é imprescindível que além da defesa terrestre, naval e aérea, se invista em IA – Inteligência Artificial. Os conflitos que infelizmente ainda podem ocorrer e matar não serão convencionais, com armas tradicionais. Serão guerras de inteligência.
Preparar a defesa nacional também não pode prescindir de treinar a consciência cívica da juventude. Resgatar o amor pela Pátria. O capítulo das responsabilidades, dos deveres e das obrigações, já que o extenso rol de direitos é bem conhecido de todos.
“Nós somos, da Pátria Amada, fieis soldados, por ela amados”. Era um orgulho cantar esses hinos, que estimulavam o fervor amorável pelo Brasil, país nosso berço e pelo qual a juventude de antanho não se recusava a morrer. E hoje? Como estamos no capítulo do patriotismo?
José Renato Nalini é reitor, docente de pós-graduação e Secretário-Executivo das Mudanças Climáticas de São Paulo