Se na pandemia o Gás Natural Veicular (GNV) ganhou protagonismo como há muito tempo não ganhava, isso vem mudando rapidamente e bruscamente de lá para cá. Em Jundiaí, no ano de 2020, entre janeiro e outubro, 33 veículos tiveram instalação do kit gás, que consiste no cilindro e no sistema de abastecimento. No ano de 2021, no mesmo período, o número saltou para 64. A partir daí, começou a cair, pois entre janeiro e outubro de 2022, foram 52 instalações, 16 em 2023, cinco no ano passado e sete neste ano, também considerando os dez primeiros meses do ano.
Os dados são do Departamento Estadual de Trânsito de São Paulo (Detran-SP) e mostram que Jundiaí não é exceção. No estado de São Paulo, as solicitações de uso de GNV caíram 64%. Já a frota ativa com a opção de abastecimento a gás encolheu 33% no estado.
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O Detran-SP aponte que o gás natural está está saindo das prioridades do cidadão paulista. O número de solicitações, que chegou a quase 10 mil em todo o estado em 2021, despencou para um quarto disso no ano passado, cerca de 2,5 mil (queda de 75%). Neste ano, até outubro, o Detran-SP recebeu 1.254 pedidos – número por sua vez 17% menor que o registrado no ano passado e 64% abaixo do volume de cinco anos atrás.
Com a menor procura pelo GNV, a frota ativa de carros ou motos que fazem uso do combustível vem diminuindo ano a ano. Se em 2020 o Estado de São Paulo contava 215.450 veículos com opção de abastecimento a GNV, em 2021 o número passou a 207.888, e em 2023 já havia encolhido para 182.452. Hoje, o valor de 142.587 representa um recuo de 34% no período.
Já em Jundiaí, neste ano, a frota alimentada exclusivamente por gás natural ou combinando o gás e outro combustível é de 2.262 veículos. Em 2020, considerando o mês de outubro, eram 2.809 veículos com as mesas configurações. A queda é de 19% no período.
A derrocada
Trabalhando na Mooca, Capital paulista, Maicon Silva, 37 anos, dez deles como taxista, é parte das estatísticas. Ele adotou o GNV em 2021, ainda durante a pandemia de covid-19, e deixou de usar no início deste ano ao concluir que a troca não estava compensando financeiramente. "Com a alta no preço do gás, hoje está compensando mais usar etanol, porque a economia ficou pequena frente ao investimento para adaptar o carro. Além disso, o kit necessário para o abastecimento a gás ocupa grande parte do porta-malas do automóvel, e nós, taxistas, rodamos bastante, usamos a mala e trocamos de carro com frequência”, diz. "Outro dia, o frentista do posto onde eu abastecia com GNV comentou que muitos taxistas, quando trocam de veículo, não querem mais saber do gás natural.”
Maicon representa o enxugamento da frota com GNV na Capital, onde o total de veículos com gás natural caiu de 88.300 em 2020 para 59.019 em outubro deste ano, uma retração de 33%. De novo, o recuo reflete a redução na procura pelo abastecimento a gás. Se em 2021 a Capital registrou mais de 4 mil pedidos, no ano seguinte já tinha 25% menos. Em 2024 o volume de solicitações ficou em três dígitos, 946. Os dados do Detran-SP indicam 691 pedidos de inclusão de gás natural em veículos até o final de outubro deste ano, acompanhando a tendência de queda percebida nos últimos anos.