VALORIZAÇÃO DA ARTE

'Empreendedor Artesão' abre oportunidades para o profissional

Por REDAÇÃO | AGÊNCIA SÃO PAULO
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Há 28 anos, Claudinei Roberto Nanzi, morador de Jundiaí, cria peças com materiais recicláveis
Há 28 anos, Claudinei Roberto Nanzi, morador de Jundiaí, cria peças com materiais recicláveis

Voltado ao fortalecimento do artesanato paulista como atividade econômica e cultural, o Programa Empreendedor Artesão, da Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Estado de São Paulo (SDE), incentiva o empreendedorismo entre artesãos de todos os segmentos e regiões do estado, oferecendo reconhecimento, fomento, qualificação, acesso ao mercado e oportunidades de renda.

Selecionar, cortar, soldar, moldar, pintar, criar e vender. Todos os dias, há 28 anos, Claudinei Roberto Nanzi, 69 anos, morador de Jundiaí, interior paulista, trabalha minunciosamente em seu ateliê nos fundos de casa com um material comumente descartável: garrafas PET.

Nas mãos do artesão, uma garrafa de plástico de dois litros se transforma em obras de personagens icônicos como Sancho Pança e Dom Quixote, além de animais, folhas, flores e figuras religiosas como São Francisco de Assis. Tudo feito com muita paciência, técnica e paixão a partir de um material que demora centenas de anos para se decompor.

Hoje, a venda das peças é um complemento da renda de Claudinei, mas ele almeja que um dia o artesanato se torne sua principal fonte financeira. Para além do talento, ele defende que o artesão contemporâneo precisa saber empreender e por isso considera o recém-lançado Programa Empreendedor Artesão como um divisor de águas para o artesanato paulista.

“Para além da arte romântica do artesanato, somos empreendedores. E o papel do Estado é abrir portas. Quando o Empreendedor Artesão estava sendo criado, fomos ouvidos e valorizados. Foi uma ruptura. A partir daquele dia, muita coisa mudou e muito ainda vai mudar”, relembra o artesão sustentável.

Estruturado para atender às principais demandas da categoria, o programa reúne pilares essenciais para o fortalecimento da atividade, entre eles, formalização (emissão da Carteira do Artesão em nível estadual e nacional); qualificação (cursos presenciais e on-line voltados à gestão, marketing, vendas e uso de ferramentas digitais); acesso ao crédito (linhas de financiamento para artesãos por meio do Banco do Povo Paulista e da Desenvolve SP, com condições facilitadas para ampliar e modernizar os negócios).

Claudinei trabalhou por quatro décadas no comércio de madeira e testemunhou de perto a extração predatória. Uma vez viu tratores com correntes derrubando grandes áreas de floresta e matando animais no processo. “Fiquei com culpa de fazer parte dessa cadeia destrutiva”, relata.

Se o relato de Claudinei apresenta o artesanato como uma ferramenta de transformação sustentável e econômica, a trajetória de Elizabeth Horta Corrêa, de 74 anos, mostra o artesanato como patrimônio cultural vivo. Há mais de 20 anos, ela se dedica à pesquisa e preservação da renda Nhanduti, técnica paraguaia ancestral em risco de extinção.

Elizabeth conheceu o Nhanduti em 2004, durante um curso de artesanato em Atibaia, onde vive até hoje. Encantada pela delicadeza das peças, iniciou uma verdadeira investigação para descobrir sua origem.

Durante anos, Elizabeth produziu peças para lojas e joalherias, mas a complexidade da técnica sempre limitou sua escala. Trabalhar com uma renda tão fina exige mais tempo do que o mercado costuma comportar. “Um módulo de oito centímetros pode levar de oito horas até alguns dias para ficar pronto. É um trabalho minucioso”, explica.

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