Restaurantes, bares e espaços de convivência de Jundiaí estão fortalecendo sua atuação no enfrentamento à violência contra a mulher ao aderirem ao Protocolo Não se Cale, iniciativa do Governo do Estado de São Paulo criada em 2023 pela Secretaria de Políticas para Mulheres. A mobilização ganha força neste mês com o início do movimento “SP Por Todas: 21 Dias por Elas”, lançado na quinta-feira (20), que reúne serviços, capacitações e ações de conscientização voltadas à prevenção da violência de gênero. De acordo com o Painel de Dados da Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos, do Governo Federal, Jundiaí registrou 100 denúncias e 673 violações contra as mulheres em 2025.
O protocolo transforma estabelecimentos comerciais em uma rede ativa de proteção. Pela lei, eles devem exibir cartazes informativos em banheiros femininos e PCD, além de treinar funcionários para identificar sinais de pedido de ajuda e saber como agir em situações de assédio ou violência.
Entre os estabelecimentos que abraçaram a iniciativa está o restaurante de Mônica Leonardi Schincariol, na região da Roseira. Mônica participou da reunião de lançamento do protocolo em 2023 e adotou as práticas desde então. “A conscientização é muito importante para a proteção da mulher. Muitos casos de violência têm acontecido em estabelecimentos, e resolvemos absorver o protocolo como forma de prevenção”, explica.
Para Mônica, o papel dos estabelecimentos é fundamental, em especial saber identificar o pedido de ajuda. “O protocolo nos ensina a agir, acolher a mulher e levá-la a um local seguro e reservado para entender suas necessidades naquele momento”, completa.
Já no Centro, a choperia de Marco Cesar do Carmo, 50 anos, também incorporou o protocolo, formalmente, desde outubro de 2025, mas, na prática, a equipe já vinha sendo orientada desde 2023. “Todos os funcionários, desde os atendentes até a gerente, estão treinados”, afirma Marco.

Marco ressalta que todos os funcionários são treinados e a prevenção é o mais importante
Ele destaca que, apesar de o local ser frequentado por famílias e não registrar ocorrências de violência, a prevenção é indispensável. “Uma vez um cliente pediu para o garçom entregar algo a uma mulher que era casada. Como o garçom sabia, ele não entregou e orientou o cliente. O mais importante é garantir que, no nosso estabelecimento, a integridade física e moral das mulheres seja preservada. Isso combate a violência e faz com que nosso espaço seja reconhecido como um lugar seguro”, celebra.