Um vídeo do circuito de segurança de um prédio de Campinas, registrado em 21 de abril de 2025, mostra o vereador campineiro Otto Alejandro (PL) envolvido em uma discussão acalorada com uma trabalhadora da portaria. Nas imagens, o parlamentar profere ofensas morais, ameaça a funcionária e a insulta com termos de conotação homofóbica.
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O episódio ocorre em um contexto delicado para o parlamentar, que já enfrenta uma acusação de violência contra uma ex-mulher e tem um pedido de abertura de Comissão Processante marcado para votação nesta quarta-feira.
A sequência de agressões
Por volta das 19h40, Otto Alejandro entra no hall do edifício acompanhado de um colega, ambos portando garrafas. Durante pouco mais de quatro minutos, o vereador questiona a funcionária sobre uma suposta dívida de uma pessoa identificada como Luiane.
Ao ser informado de que não poderia deixar um recado no local, inicia-se o desentendimento. A trabalhadora afirma estar sendo desrespeitada, momento em que a discussão se intensifica.
“Para mim você é uma assalariada, não ganha mais que mil”, dispara o vereador. Em seguida, profere a ameaça: “Na hora que você pisar pra fora nós vamos conversar”.
Questionado se estava ameaçando a funcionária, Otto não se retrata. Ao contrário, encerra o diálogo com xingamentos, referindo-se à mulher com o termo “sapatão”, em claro tom ofensivo.
Repercussão e contexto
O caso chega à opinião pública em meio a outros processos disciplinares contra o vereador. A expectativa é que o episódio mais recente influencie a decisão sobre a abertura da Comissão Processante, que será analisada nesta semana.
O mais recente refere-se a um boletim de ocorrência registrado na 1ª Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) em 10 de novembro, envolvendo supostos crimes de ameaça, injúria, violência doméstica e dano ao patrimônio.
Segundo o registro policial (BO nº QM0639-1/2025), os fatos teriam ocorrido na noite de 7 de novembro, em um apartamento na Rua José de Alencar, região central de Campinas. A suposta namorada do parlamentar relatou à polícia que foi agredida, insultada e ameaçada de morte. Em sua declaração, afirmou que o vereador teria dito: "puta, vadia, demônio, doente, ingrata, vou acabar te matando".
A denunciante, que disse manter um relacionamento de um ano e meio com Otto Alejandro, também afirmou que ele danificou objetos e removeu uma televisão de sua residência. Ela mencionou que o parlamentar costuma ingerir bebida alcoólica e fica “muito alterado”, mas recusou acolhimento e não apresentou testemunhas. Após o registro, recebeu orientações sobre medidas protetivas da Lei Maria da Penha.
O requerimento também cita episódio anterior, ocorrido em 13 de julho, quando o vereador foi acusado de danificar o vidro traseiro de um ônibus e ameaçar o motorista na Avenida Francisco Glicério.
Outro lado
O vereador foi procurado e se posicionou por meio de nota oficial, reproduzida abaixo. Apesar de afirmar que o vídeo foi editado, a reportagem reforça que as imagens estão na íntegra.
"Acredito que vocês estejam reproduzindo um vídeo com data errada e com cortes de edição. Esse fato ocorreu em 2020 e não na data que vocês mencionam. Nessa época, Otto não era vereador. Foi um fato de ordem financeira onde o Otto estava questionando um valor devido, ele foi diversas vezes ofendido e respondeu à altura na ocasião. Infelizmente esse vídeo foi editado, ficando apenas as falas do Otto. Esse fato ocorreu há muito tempo e já foi resolvido. Vamos analisar juridicamente a veracidade desse vídeo."