O fechamento de uma fábrica clandestina de bebidas alcoólicas em Jundiaí, na tarde desta quinta-feira (2), acendeu o alerta da qualidade dos produtos comercializados no município. Mesmo sem casos confirmados de intoxicação por parte de bebidas com metanol, autoridades sanitárias seguem em alerta. Em redes sociais, alguns clubes emitiram comunicado aos associados que, em alinhamento a recomendações do Sindi Clubes, suspendem temporariamente a venda de bebidas destiladas em suas dependências.
Em Jundiaí, o fechamento da fábrica deu-se por meio de uma denúncia anônima e foi conduzida pela Delegacia de Investigações Gerais (DIG) e a Guarda Municipal e segue para investigação. Procurada, a Prefeitura de Jundiaí, por meio da Vigilância Sanitária, órgão vinculado à Secretaria Municipal de Promoção da Saúde, informou que estão programadas ações de fiscalização específicas em bares do município, além de manter contato permanente com a Regional de Vigilância Sanitária do Estado para alinhamento das medidas necessárias.
Providências
Nos últimos dias, diversos bares e restaurantes se manifestaram nas redes sociais para garantir a qualidade do produto e dos processos aplicados no dia a dia. Clubes da cidade emitiram um comunicado aos associados de que, por recomendação do Sindi Clubes, irão suspender a comercialização de bebidas destiladas.
Para Paulo Brunholi, de 42 anos, proprietário de um tradicional restaurante e de uma indústria de produção de bebidas em Jundiaí, nos próximos dias pode haver queda nas vendas de bebidas alcoólicas, sobretudo em destilados, como vodca, uísque e gim, mas não crê em queda de clientes. “Temos um histórico de mais de 30 anos de qualidade. Sempre compramos produtos de distribuidores autorizados, com nota fiscal, em pontos de venda confiáveis”, explica. “Sempre nos precavemos nesse ponto e continuaremos agindo dessa maneira e reforçando essa prática”, salienta.
Pela ótica do produtor de bebidas, Paulo teme que o mercado caia em descrédito e cobra uma fiscalização mais intensa do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), órgão federal responsável por garantir a conformidade e a segurança dos produtos antes da comercialização. “Só não quer fiscalização quem trabalha errado. Sempre buscamos comprar matéria-prima de qualidade, buscando a credibilidade do fornecedor e até mesmo desconfiando de produtos muito baratos”, ressalta.
Proprietário de um bar em Jundiaí, Renan Alberti, 34 anos, afirma que sempre realizou a compra de produtos de fornecedores licenciados e com credibilidade no mercado, com nota fiscal, selo do IPI e lacres intactos. “Muitos ficam preocupados com a quantidade de notícias, mas a gente deixa o cliente tranquilo, pois estamos em dia com a Vigilância Sanitária, tanto na cozinha como no bar. Está exposto na entrada do boteco o cumprimento com a Vigilância Sanitária, e ficamos sempre à disposição para tirar qualquer dúvida sobre o que será consumido”, explica.
Além dos 10 casos confirmados, até a noite de quarta-feira (1º), São Paulo registrava outros 29 em investigação, além de seis bares e distribuidoras interditadas e 942 garrafas apreendidas durante operações integradas de fiscalização nesta semana.
Procon Jundiaí orienta consumidores
O Procon Jundiaí reforça aos consumidores a importância de adotar cuidados na hora de comprar bebidas destiladas em bares, restaurantes, adegas, casas noturnas e supermercados. Segundo o órgão, a prevenção começa já no momento da compra, e não apenas no consumo.
Procure atendimento médico imediato em caso de sintomas suspeitos e comunique as autoridades competentes, pelos seguintes canais:
Disque-Intoxicação (Anvisa): 0800 722 6001
Vigilância Sanitária de Jundiaí: (11) 4589-6420
Polícia: 190
Procon Jundiaí: (11) 4586-1320
Disque Denúncia: 181
Ministério da Agricultura – Jundiaí: (11) 4521-5656