EXPOSIÇÃO

Trajetória de Jundiaí no esporte brasileiro é celebrada no Sesc

Por Redação | SESC JUNDIAÍ
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A exposição relembra atletas, equipes, fatos e curiosidades históricas do esporte jundiaiense
A exposição relembra atletas, equipes, fatos e curiosidades históricas do esporte jundiaiense

Magic Paula, Oscar Schmidt, o time tricampeão da Superliga de vôlei feminino Leites Nestlé, a equipe de basquete feminino Divino/Perdigão, além de jogadores de futebol que passaram pela Seleção Brasileira como Grafite, Doni, Nenê, Dalmo Gaspar e Mario Milani. O que estes nomes têm em comum, além de terem marcado a história do esporte nacional? Todos eles têm, em algum momento de sua trajetória, a passagem pela cidade de Jundiaí.

Reconhecendo a relevância do esporte na formação da identidade de Jundiaí, tanto no cenário regional como nacional, relembrando atletas, equipes, fatos e curiosidades históricas, o Sesc realiza a exposição inédita “Cidade em Movimento”. O Sesc Jundiaí convida o público para a cerimônia de abertura, que acontece no dia 3 de outubro, às 11h. A visitação é gratuita e a exposição fica em cartaz até 22 de fevereiro de 2026.

Com curadoria das pesquisadoras Aira Bonfim e Luciane de Castro, e assistência curatorial de Michele Silva Joaquim, a exposição reunirá, distribuídos entre os cerca de 500 m² do percurso expositivo, registros históricos, objetos, imagens e relatos que revelam a importância dos espaços esportivos e das práticas corporais para a vida comunitária da cidade. A mostra percorre a inspiradora trajetória esportiva de Jundiaí e alguns de seus personagens icônicos, os espaços que marcaram a cultura local e as memórias que conectam passado e presente.

Por meio de uma abordagem interativa e acessível, a mostra apresenta os desafios e as potencialidades que moldaram a cultura esportiva da cidade ao longo dos anos, evidenciando como o esporte se consolidou como um elemento fundamental na formação da identidade local. Para isso, o percurso expositivo terá totens informativos espalhados por toda a unidade, medindo cerca de 2,10m, com fatos relacionados ao esporte jundiaiense, bem como imagens raras de como a cidade tem se divertido ao longo de mais de 100 anos.

A exposição homenageia a cidade por meio de uma cartografia viva, que apresenta espaços de lazer e prática esportiva em constante transformação — alguns ainda presentes, outros já desaparecidos, mas todos fundamentais para a formação da identidade cultural e esportiva local. 
 
Com foco em acessibilidade, a exposição também reúne recursos de interatividade e mediação voltados a públicos com diferentes necessidades, contando com audiodescrição, videolibras e recursos táteis, para melhor experiência de visitantes com deficiências.

Além disso, a exposição presta homenagem aos esportes adaptados por meio do trabalho do Peama - Programa de Esportes e Atividades Motoras Adaptadas de Jundiaí, local nacionalmente reconhecido pela formação de paratletas que hoje representam o país em competições mundo afora.

MEMÓRIAS ORAIS 

A exposição conta com um dispositivo interativo de registro de memórias orais. Nele, o público pode destacar um endereço no mapa da cidade e deixar um breve depoimento sobre suas lembranças esportivas e de lazer. Após passar por uma curadoria, este material será incorporado à mostra e poderá ser ouvido pelos visitantes.

“Nosso processo de pesquisa envolveu um mergulho cartográfico pela cidade, buscando mapear não apenas os espaços esportivos, mas também as memórias que neles habitam. A pesquisa de imagens também foi um caminho revelador, que nos brindou com descobertas surpreendentes — como a presença de Maria Esther Bueno, uma das maiores tenistas do mundo, no Clube Jundiaiense. Esses achados nos mostram como a história do esporte local se conecta a trajetórias de projeção nacional e internacional, e reforçam a potência cultural de Jundiaí no cenário esportivo brasileiro”, destaca Luciane de Castro.

Já Aira Bonfim salienta que “o projeto reuniu objetos ordinários capazes de carregar a potência de contar histórias coletivas, da prática cotidiana às conquistas de projeção nacional. O uniforme de Nelson Prudêncio, a bicicleta adaptada do Toninho Thomazzi e a Taça dos Cigarros Castellões são exemplos de acervos que se misturam aos objetos “inventados” – e imperdíveis - como a bola de onça e o galo azul”.

PALCOS HISTÓRICOS 

Na mostra, ginásios, clubes, praças e parques são revisitados como lugares de sociabilidade e memória, com o público sendo convidado a refletir sobre como esses espaços marcaram a vida de gerações e contribuíram para a projeção de Jundiaí no cenário regional e nacional.

Dentre eles está o Clube Beneficente Cultural e Recreativo Jundiaiense 28 de Setembro, clube social negro mais antigo em funcionamento no estado de São Paulo – fundado em 02 de abril de 1895 por ferroviários negros da Companhia Paulista de Estradas de Ferro – e terceiro mais antigo do Brasil, reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial de Jundiaí. O clube comemorará seus 130 anos de existência junto com a inauguração da exposição e parte significativa do acervo fotográfico preservado e recentemente digitalizado será apresentado de maneira inédita na expografia da mostra.

“Muito mais do que um espaço dançante, o clube teve rinque de patinação, espaço para jogos de xadrez, time de futebol, e times de basquete masculino e feminino, numa pluralidade de esportes para a população negra da cidade. O clube é símbolo da resistência negra, espaço de educação e cultura ao longo dos seus 130 anos”, afirma a assistente curatorial da mostra, Michele Silva Joaquim.

Já o Complexo Esportivo Nicolino de Lucca, principal equipamento dedicado ao esporte da cidade, popularmente conhecido como Bolão, também é um dos destaques da exposição. Inaugurado em 1953 com arquitetura assinada pelo próprio prefeito Vasco Venchiarutti, tinha um dos maiores vãos livres em cúpula de concreto do país na época, fato que rendeu prêmio no Salão Paulista de Belas Artes.

Será exposta ao público a bola de basquete do famoso ponto inaugural do ginásio, convertido por Neyde Carlos Pereira, uma atleta notável que ficou carinhosamente conhecida como “Ponce de Leon”. Naquela época, com apenas 18 anos, Neyde brilhou em uma partida de basquete eletrizante entre as equipes de Jundiaí e Itatiba, realizada durante os prestigiados 18º Jogos Abertos do Interior.

FUTEBOL

A mostra evidencia o passado de formação do futebol em Jundiaí, em um período em que ainda não havia distinção clara entre equipes profissionais e amadoras. O próprio time do Hydecroft Foot-ball Club, o primeiro do interior do estado a disputar o Campeonato Paulista pela Liga Paulista de Football (LPF) em 1914, foi formado no Gymnasio Hydecroft, terceira escola da cidade inaugurada em 1907.

Também há destaque para a rivalidade entre os clubes mais tradicionais locais, o Paulista FC e o Comercial FC, representada por um suposto galo que apareceu pintado de azul no quintal alheio. A mostra também traz à tona uma fotografia rara de 1943, quando atrizes do Circo Rosário, usando o uniforme do Comercial, disputavam partidas em plena lona circense — uma alternativa encontrada em tempos de proibição legal do futebol feminino no Brasil.

A partir do circuito boleiro amador, a exposição também homenageia o clube do Promeca, responsável não apenas por promover o esporte bretão local, mas em 1958, em meio a um campeonato escolar, permitir com que o futuro atleta olímpico, Nelson Prudêncio, desses seus primeiros pulos de destaque – isso enquanto trabalhava como aprendiz na Promeca S.A., empresa fabricante de tornos mecânicos.

Curadoria
Aira Bonfim - Pesquisadora dos futebóis, Aira Bonfim é mestre em História, Política e Bens Culturais (FGV-RJ). Atuou na implantação do Centro de Referência do Futebol Brasileiro e foi co-curadora de importantes exposições no Museu do Futebol, dentre elas Contra-Ataque! As Mulheres do Futebol (2019) e Rainhas de Copas (2023). Desenvolve consultorias e curadorias sobre história do esporte e paradesporte para instituições culturais e entidades esportivas como a CBF, CONMEBOL e Comitê Paralímpico Brasileiro.

Luciane de Castro - É jornalista, com atuação em pesquisa, curadoria e produção de conteúdos sobre esporte feminino. É coautora dos livros “Futebol Feminista”, da HQ “E a Boca do Luxo entra em campo” e curadora de exposições como “Contra-Ataque! As mulheres do Futebol” e “Rainha de Copas” (Museu do Futebol). Desenvolve projetos que resgatam personagens e narrativas históricas do esporte.

Michele Silva Joaquim - É historiadora, doutoranda em História (Unicamp), mestre em História Social (PUC-SP) e especialista em Gestão de Arquivos (FESPSP). Atua nas áreas de preservação documental e memória social, com pesquisas sobre trabalhadores negros e pós-abolição em São Paulo.

EXPOSIÇÃO CIDADE EM MOVIMENTO

Cerimônia de abertura: 3 de outubro de 2025 às 11h (entrada gratuita e aberta ao público)
Visitação: até 22 de fevereiro de 2026
Sesc Jundiaí
Horários: Terça a sexta, das 9h às 21h. Sábados, domingos e feriados, 10h30 às 17h30
Endereço: Av. Antônio Frederico Ozanan, 6600 - Jardim Botânico, Jundiaí – SP
Telefone: (11) 4583-4900
Grátis – Agendamentos pelo e-mail agendamento.jundiai@sescsp.org.br 
Mais informações: www.sescsp.org.br/jundiai

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