
“Administrar uma cidade exige responsabilidade e coragem e não adianta sentar na frente de uma câmera e ficar chorando, reclamando. Tem que ter atitude”. A frase é de Marcão Marchi (PSD), ex-prefeito e que ocupa hoje a presidência da Câmara Municipal de Itupeva, se referindo à atual administração.
A cidade tem obras paradas, como a da Ponte Estaiada, que começou no período em que Marchi estava à frente do Poder Executivo e ainda não foi finalizada. “Só não entreguei durante meu mandato por problemas na execução. Se não tivessem me tirado da cadeira certamente essa obra já estava entregue a população”, garante, lembrando que foi cassado após sete anos como prefeito, sendo eleito em 2017 e reeleito em 2021.
Em seu lugar, assumiu Rogério Cavalin (MDB), em 2024, após eleições suplementares, e que foi reeleito no mesmo ano. “O prefeito passou um ano reclamando de dívidas sem descer do palanque eleitoral e deixou de cuidar da cidade”, considera Marchi, avaliando que a população está sentindo os reflexos do que ele chama de “gestão sem planejamento e sem experiência”.
Além da Ponte Estaiada, Itupeva tem a finalização de obras na região Córrego da Lagoa, nos bairros Jardim Samambaia e Alegria, e do Córrego Piracatu, na Vila São João. “São obras importantes e urgentes que também iniciei durante meu mandato. Já eram para estar concluídas pois esta nova administração já está há um ano à frente da prefeitura e além de não terminarem não há clareza quanto aos motivos de tanto atraso na entrega”, afirmou.
Ruas no Jardim Samambaia e na Vila São João precisam de melhorias após obras
Já a vereadora Josi Moura (Republicanos) destaca que se reuniu com a Secretaria de Obras para saber sobre a demora na finalização destas obras dos córregos. “Fui informada de que está finalizada a parte interna e que agora é feita uma nova licitação para organizar o entorno desta área”, diz, lembrando que as vias na região ficaram com buracos e asfalto ruim. Aliás, esta é a grande reclamação que ela recebe em seu gabinete.
Em três meses de mandato, ela diz que o que mais fez foram pedidos para recapear ruas, tapar buracos e manutenção adequada de estradas de terra. Josi ressalta que chegou a fazer protocolar ofício duas vezes para o mesmo local, pois o problema na via voltou logo após ser colocado asfalto onde precisava. “Não sei se a qualidade do material estava ruim. Mas como vereadora sinto até vergonha de situações que já cobrei e não são resolvidas”, desabafa.
Como exemplo, ela cita um local que precisa de manutenção pois os motoristas mal conseguem transitar na região do bairro da Mina. “Tem um buraco enorme na via. Já falei pessoalmente com o prefeito e com a secretária, mas ainda não foi resolvido”.
A vereadora até tenta não transferir toda a responsabilidade para o Prefeito, mas acredita que é preciso aprimorar processos e evoluir. “É aceitável ter falhas, mas precisa ir melhorando. Ainda ‘patina’ em demandas que seriam simples”, considera.
Mais problemas
Tanto a vereadora Josi Moura quanto Marcão Marchi destacam outros problemas na cidade. A estreante na Câmara tem cobrado sobre o funcionamento do Núcleo de Atendimento à Mulher (NAM), que deveria estar atendendo vítimas de violência doméstica, mas não está realizando esta atividade, além da falta de auxiliares de classe na educação. “Na saúde, quero saber como está a estrutura do Hospital Municipal e se o tomógrafo está funcionando”, diz Josi, se referindo a requerimentos feitos para a Prefeitura.
Já o presidente da Câmara comenta: “Os vereadores, estão atentos às demandas da população. Precisamos tirar a cidade dessa letargia e exigir que o prefeito comece a recapear importantes vias públicas que estão com asfalto deteriorando. Precisamos normalizar o estoque de remédios, pois todos os dias há pessoas reclamando da falta de medicamentos básicos. Precisamos de mais especialistas e médicos nas unidades básicas de saúde. Enfim, vamos apontar os problemas e vamos cobrar soluções para a população”.
A Prefeitura foi procurada, mas até o fechamento desta matéria não havia se pronunciado.