Embora ainda estejamos longe da comemoração do Dia dos Namorados no Brasil, na semana passada, dia 14 de fevereiro foi celebrado, na América do Norte, Europa e Reino Unido, o Valentine’s Day ou o Dia do Amor e da Amizade. Uma data muito especial para refletirmos como amamos em tempos de mídias sociais, seja o amor romântico, de amigo, pais, avós.
Em tempos de conectividade global, a tradição do amor cortês, que teve início no século XIX, onde cartões românticos eram trocados de forma privada, hoje tornou-se um fenômeno comercial e público.
Antes da digitalização do mundo, o amor era expresso de forma diferente. O Dia dos Namorados, conhecido como "valentines", era o dia de expressar seu carinho com cartões elaborados, feito a mão, muitas vezes perfumados. Continham poemas e mensagens delicadas que transmitiam sentimentos profundos e sinceros, dirigidos não somente para seu par romântico, mas para amigos, conhecidos e familiares. Essa tradição reforçava a ideia do amor como um sentimento refinado e poético, valorizando a correspondência escrita como forma de cortejo e compromisso. Representava um gesto pessoal e intimista, guardado com carinho como recordação de um afeto especial.
Atualmente, temos Instagram e TikTok inundados com fotos de casais “felizes”, vídeos de surpresas românticas e hashtags como #ValentinesDay e #CoupleGoals. O “amor” é expresso de forma visual, performática, refletindo a valorização da individualidade e da validação social. A aparência acima de tudo. Os relacionamentos ficaram rasos. A superficialidade das conexões virtuais está impactando a profundidade dos vínculos humanos, tornando os relacionamentos mais voláteis, segundo afirma o escritor Thomas L. Friedman, no livro The World Is Flat (2005). Entendendo volátil como etéreo, impalpável, inconstante.
Assim como a globalização e os avanços tecnológicos nivelaram e interconectaram empresas, pessoas, países e mercados, os relacionamentos —sejam pessoais, profissionais ou entre nações— passam a ser moldados por novas dinâmicas. A tese do mundo plano sugere que os relacionamentos, em todas as esferas, são cada vez mais interdependentes e mediados pela tecnologia.
A utilização das redes sociais interferiu diretamente e redefiniram os relacionamentos interpessoais. Contraditoriamente, temos muita facilidade na conectividade pelos meios digitais, pois se tornaram mais fluidos e menos limitados pela geografia, permitindo que pessoas de diferentes culturas interajam e troquem experiências de forma instantânea, promovendo maior diversidade de perspectivas.
A experienciação do amor mudou. Se por um lado oferecem novas formas de conexão e celebração, também podem criar desafios, como a comparação excessiva e a pressão para manter uma imagem idealizada do relacionamento.
Enquanto na América do Norte a validação social e a independência individual são mais enfatizadas, na América do Sul a paixão e a conexão emocional continuam a ser a base dos relacionamentos. Ambos os estilos refletem a maneira como cada cultura encara o amor, mas, no final, parece que a essência dos sentimentos permanece a mesma: a busca pela conexão genuína transcendendo algoritmos e filtros.
Rosângela Portela é jornalista, mentora e facilitadora
(rosangela.portela@consultoriadiniz.com.br)