El Salvador, o menor país da América Central, possui uma história marcada por conquistas, conflitos internos e desafios socioeconômicos. Desde a colonização espanhola no século XVI até a independência em 1821, o país enfrentou diversas transformações políticas e sociais.
No século XX, a nação foi abalada por ditaduras militares e uma guerra civil devastadora que durou de 1979 a 1992, resultando em aproximadamente 75.000 mortes. Após os Acordos de Paz de Chapultepec em 1992, El Salvador iniciou um processo de reconstrução democrática e econômica.
Entretanto, nas últimas décadas, o país foi assolado pela violência das gangues, conhecidas localmente como "maras". Essas organizações criminosas, como a Mara Salvatrucha (MS-13) e a Barrio 18, emergiram como forças dominantes em muitas comunidades, impondo extorsões, cometendo assassinatos e controlando territórios inteiros. A origem dessas gangues está ligada a deportações de salvadorenhos dos Estados Unidos nos anos 1990, que trouxeram consigo a cultura das gangues de Los Angeles. Com o tempo, essas organizações se enraizaram no tecido social salvadorenho, recrutando jovens de áreas marginalizadas e estabelecendo redes criminosas complexas.
A presença das maras teve um impacto profundo na sociedade salvadorenha. A violência generalizada levou ao deslocamento de famílias, fechamento de negócios locais e uma atmosfera constante de medo. Economicamente, a insegurança afastou investimentos estrangeiros e sobrecarregou os recursos do Estado, dificultando o desenvolvimento de uma economia. A falta de uma base industrial sólida e de produtos de exportação competitivos deixou o país com ainda mais desafios, tornando a recuperação econômica ainda mais complexa.
Nos últimos anos, o governo de El Salvador, sob a liderança do presidente Nayib Bukele, adotou medidas enérgicas para combater as gangues. A administração implementou estados de emergência, suspendendo certas liberdades civis e realizando detenções em massa de supostos membros de gangues. Embora essas ações tenham resultado em uma redução significativa nos homicídios e em uma sensação renovada de segurança em algumas áreas, elas também suscitaram preocupações sobre violações de direitos humanos e o potencial retorno a práticas autoritárias.
Entretanto, fica muito nítido a aprovação popular destas iniciativas, pelo menos aqui, onde a reportagem do JJ está, na Capital San Salvador, as pessoas aprovam as ações de Bukele e destacam que o combate as gangues trouxe uma nova esperança para o país.
“Antes as pessoas tinham medo de abrir um negócio, um comércio, pois as maras não deixaram, agora há mais segurança com Bukele, isso, contudo, não significa que o povo está mais rico, mas que pelo menos podemos trabalhar”, disse Maria Fernandes, cidadã que mora em El Salvador desde que nasceu.
Nas ruas fica claro esta transição, um país sem infraestrutura local e turística que começa a dar passos de desenvolvimento, ainda sem saber direito o rumo que tomar. Bairros de alta renda começam a surgir, mostrando que há uma elite econômica em crescimento no país, fruto de novas oportunidades de negócios.
“O que está ocorrendo em El Salvador ainda não é para os salvadorenhos, para o povo. Mas a gente agora começa a ter uma esperança, começa a ver novas oportunidades, estamos vivendo um novo momento aqui”, disse Carlos Hernandez, que trabalha como Uber no país.
Hernandes aponta que esta estabilidade tem atraído mais turistas para a região, muitos americanos, russos, europeus e asiáticos ligados ao setor de tecnologia e, segundo ele, que seguem uma linha ‘libertária’.
“Não sei bem o que isso quer dizer, mas escuto eles falando muito sobre libertarismo e sobre como El Salvador pode crescer economicamente como uma região de serviços e tecnologia”, afirmou.
Esta é justamente a aposta de Bukele, que desde que assumiu a presidência de El Salvador em 2019, se destacou por sua abordagem no uso da tecnologia para governança, segurança e economia. Jovem, carismático e altamente conectado às redes sociais, Bukele representa uma nova geração de políticos que utilizam a tecnologia não apenas como ferramenta de comunicação, mas como pilar de sua gestão.

Diferente de líderes tradicionais, Bukele governa diretamente por meio de redes sociais, especialmente Twitter, onde faz anúncios importantes, responde a críticos e se comunica com a população sem a intermediação da mídia tradicional. Sua estratégia digital lhe garantiu uma base fiel de apoiadores, mas também levantou questionamentos sobre a centralização do poder e a falta de diálogo institucional.
No entanto, essas críticas não parecem afetar a popularidade do presidente que de acordo com dados do Latinobarómetro de 2024, sua gestão é aprovada por 90% dos eleitores, com apenas 7% de desaprovação. Em novembro de 2024, ele foi destaque na capa da revista Time, que o chamou de "o autoritário mais popular do mundo". Em resposta, Bukele afirmou que "o custo de ser chamado de autoritário é muito pequeno para me incomodar".