OPINIÃO

Campinas enfrenta mudanças climáticas

09/06/2024 | Tempo de leitura: 3 min

São Paulo foi a primeira cidade a criar uma Secretaria Executiva de Mudanças Climáticas. O Prefeito Ricardo Nunes percebeu que a megalópole teria muito a perder se não agisse com efetividade para mitigar os efeitos daquilo que o aquecimento global trouxe para a humanidade.

Em seguida, outras cidades seguiram seu exemplo. Campinas, por exemplo, que é metrópole cosmopolita, com várias Universidades, inclusive a Unicamp e a PUC, transformou a sua Secretaria do Verde em Secretaria do Clima e lançou um portal para informar a sociedade sobre as principais fontes de emissão de CO2 na cidade.

Os eventos extremos não escolhem lugar. Um comitê será responsável pela análise das situações e das medidas de enfrentamento e o portal trará dados, também, sobre o número de árvores plantadas. Todas as secretarias desenvolvem ações buscando minimizar os efeitos das mudanças climáticas e reduzir a emissão de gases do efeito estufa. Para o prefeito Dario Saadi, “esta luta não cabe somente à prefeitura, mas toda a sociedade deve colaborar”.

Dentre as providências tomadas pelo prefeito de Campinas, está a transformação do antigo Departamento do Verde e Desenvolvimento Sustentável em Departamento de Mitigação e Adaptação Climática. Dentre as providências imediatas, está a ampliação do processo de compostagem da Usina Verde, a ampliação do número de equipes para manejo da arborização urbana, a contratação de empresa especializada para análise, poda e remoção de árvores nas 206 escolas municipais.

A prefeitura também fará o monitoramento das áreas de descarte irregular por meio das câmeras da Central Integrada de Monitoramento de campinas e ampliará a coleta mecanizada.

É a determinada ação municipal com vistas a tornar a cidade mais resiliente e resistente a extremos climáticos. Outra boa medida foi a criação do Grupo de Emergência Climática, ligado à Defesa Civil, já instalado e em funcionamento.

Campinas atualiza o seu inventário de gases do efeito estufa, já aprovou sua política do meio ambiente e está em vias de aprovar o Plano de Ação Climática, inclusive auditado por organismos internacionais.

Sem prejuízo, prosseguem os serviços de macrodrenagem da bacia do Anhumas, o incremento da Usina Verde, o banco de áreas verdes, a PPP da iluminação pública, o plano cicloviário, a publicação de alertas da Defesa Civil, monitoramento das arboviroses e outros.

O Portal é uma boa iniciativa. Nele, além das informações já mencionadas, encontra-se o elenco dos compromissos políticos assumidos por Campinas, a Política Municipal do Clima e um utilíssimo glossário climático, para que a população tenha conhecimento do que sua prefeitura faz para atenuar os impactos dos fenômenos extremos e para adaptar a cidade para o que ainda virá.

O cidadão saberá, se consultar o Portal, quantas mudas Campinas plantou nos últimos três anos e o que isso representa em termos de absorção de dióxido de carbono. Foram 369.617 mudas, que devem absorver 51.795 toneladas de gás carbônico. Também se poderá acompanhar o que Campinas fez nos últimos dez anos, uma linha de tempo para avaliar o que o município providenciou para poupar a população do flagelo das inundações, alagamentos, das ondas de calor e outros eventos.

Simultaneamente, capacitam- se os agentes comunitários para desastres e emergências, expandem-se os muros de gabião, intensifica-se a limpeza das bocas de lobo e disponibiliza-se um aplicativo, elaborado em parceria com o Sinduscon, para calcular a neutralização de carbono na cidade. É um exemplo a ser seguido por todas as demais cidades.

José Renato Nalini é reitor, docente de pós-graduação e Secretário-Executivo das Mudanças Climáticas de São Paulo (jose-nalini@uol.com.br)

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do SAMPI

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