OPINIÃO

Pesquisa confirma Jerusalém bíblica

04/06/2024 | Tempo de leitura: 2 min

Em 29 de abril passado, cientistas israelenses publicaram o paper "Radiocarbon chronology of Iron Age Jerusalem reveals calibration offsets and architectural developments" na revista PNAS, Proceedings of the National Academy of Sciences e uma entrevista deles no The Jerusalem Post explica a importância da pesquisa científica que fizeram.

De acordo com a Bíblia, o Reino de Israel foi reunificado com a Judeia no século XI a.C., sendo governado por Saul, Davi e Salomão. Então, o reino foi dividido em Israel e Judá por volta de 975 a.C., no reinado de Roboão, que governou o Reino do Sul, composto pelos territórios das tribos de Judá e Benjamim. A divisão ocorreu por causa dos altos impostos cobrados pela monarquia.

Israel consistia em Samaria e Siquém no Norte, enquanto Judá e Jerusalém serviam como centro religioso no Sul. Até agora, havia apenas evidências bíblicas e históricas, mas nenhum vestígio arqueológico indiscutível para provar a cronologia exata.

Alguns estudiosos sugeriram que Jerusalém, a capital do reino, não emergiu como um centro administrativo significativo até o final do século VIII a.C. Antes disso, as evidências arqueológicas sugerem que sua população era pequena demais para sustentar um reino viável.

A mistura de arquitetura e habitação contínua ao longo de mais de 4.000 anos levou Jerusalém a ser uma amalgamação de construções de diferentes períodos, é uma cidade que viu muitas guerras, destruições e reconstruções, transformando-se em áreas urbanas complexas construídas sobre as ruínas do que veio antes.

Os cientistas realizaram mais de 100 medições de radiocarbono em material orgânico, principalmente sementes carbonizadas. Superaram o platô de Hallstatt (dificuldade de medida do C14) com a ajuda de 100 anéis de árvores (dendrocronologia). E ajudou a datação, a existência de dois eventos históricos bem determinados, a destruição de Jerusalém pelos babilônios em 586 a.C. e o terremoto do século VIII a.C..

A maior realização do estudo foi seu sucesso em criar uma cronologia absoluta, com detalhes e fidelidade sem precedentes, para uma cidade continuamente habitada. Em particular, os pesquisadores conseguiram fornecer evidências concretas da presença generalizada de habitação humana em Jerusalém já no século XII a.C. Uma expansão para o oeste da cidade foi precisamente datada do século IX a.C., determinando o momento da construção de um grande edifício antigo.

Estabelecer as datas de uma grande mudança no planejamento urbano permitiu atribuí-la a um terremoto devastador e ao desenvolvimento subsequente até 586 a.C. Notavelmente, enquanto pesquisas anteriores haviam creditado a reurbanização pós-terremoto ao Rei Ezequias, a datação por radiocarbono e a cronologia mostram que provavelmente ocorreu durante o reinado do Rei Uzias.

Jerusalém é uma cidade viva, não é como um sítio arqueológico como uma sequência de camadas, é uma cidade constantemente reconstruída, com evidências arqueológicas dispersas. Apesar desses desafios, os cientistas conseguiram montar sua cronologia absoluta durante a Idade do Ferro.

Mario Eugenio Saturno é Tecnologista Sênior do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e congregado mariano (mariosaturno@uol.com.br)

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