OPINIÃO

Privatização da Linha 7 - Rubi

01/06/2024 | Tempo de leitura: 3 min

Depois de muita pressão, a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), sob comando do governo Tarcísio de Freitas de São Paulo, recuou de parte das mudanças previstas para a linha 7 - Rubi. Antes, pelo projeto de concessão assinado nesta semana pelo governador, os trens que saem de Jundiaí teriam o ponto final na estação Barra Funda. Os usuários com destino às estações Luz e Brás ficariam prejudicados, sendo obrigados a inúmeras baldeações de linhas, inclusive em trechos do metrô.

Agora, após muita contestação das mudanças, inclusive por ações do nosso gabinete na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), a CPTM decidiu que os trens seguirão até a Luz ou ao Brás, sem causar mais prejuízos dos passageiros das zonas Norte e Noroeste. Apenas passageiros de algumas composições com o terminal na Barra Funda vão fazer mais uma troca de linha, mas ainda no sistema dos trens ferroviários, sem precisar ir a algum metrô.

As estações da Luz e do Brás são duas das estações com o maior fluxo de passageiros do sistema metrô e trem, funcionando como "hubs" (eixos) de transferência para inúmeras outras linhas, tanto em direção às periferias quanto aos municípios da região.

Mas, apesar do recuo da CPTM, outros problemas continuam com a concessão da linha 7 - Rubi. Um deles diz respeito ao chamado serviço 710, adotado em 2021, que tornou direto os trajetos de 31 estações no atendimento conjunto das linhas 7 - Rubi e 10 - Turquesa, ligando Jundiaí ao município de Rio Grande da Serra.

O mais curioso para não dizer estranho, é uma reportagem publicada pelo próprio site da CPTM (https://cptm.sp.gov.br/ noticias/ Pages/Servi?% A7o-710-da-CPTM- completa- 2-meses-de-opera?% A7?% A3o-e- passageiros- reconhecem-benef% C3% ADcios.aspx), em setembro de 2021, que ressalta a satisfação dos passageiros com o serviço 710.

A reportagem aponta que "cerca de 30% dos passageiros das linhas 7-Rubi e 10-Turquesa foram beneficiados com o novo serviço". E segue: "sessenta dias após o lançamento do serviço 710, que permite que os passageiros das linhas 7 - Rubi e 10 - Turquesa possam circular pelas duas linhas sem necessidade de transferência de trens na Estação Brás, a CPTM celebra os bons resultados obtidos na redução do tempo de viagem e aumento das possibilidades de integração com outras linhas".

Um outro trecho da matéria merece destaque aqui: "O Serviço 710 foi lançado no dia 4 de maio de 2021, atendendo demandas antigas da população e beneficiando quem vive e trabalha no ABC Paulista e ao norte da Região Metropolitana de São Paulo".

É uma cartilha que se repete na privatização da Sabesp, empresa estatal lucrativa aos cofres públicos, e nas linhas de trens e metrôs do Estado. Sempre em prejuízo do conjunto da população, o que é comprovado as falhas nas operações da privatizada linha 9, operada pela ViaMobilidade (https://www.cartacapital.com.br/cartaexpressa/sao-paulo-linha-privatizada-da-cptm-volta-a-apresentar-falha/, de 5 de maio de 2023).

É preciso que a sociedade compreenda a importância da prestação de serviços públicos pelas empresas estatais, sujeitas a rigoroso controle social e à avaliação da própria população - algo que é, em última instância mas não menos importante, são feitos nas eleições.

Há em curso no estado de São Paulo uma onda irresponsável por parte do governo estadual para "presentear" a iniciativa privada com um patrimônio público erguido por décadas de investimentos do povo do Estado. Sob a falácia da modernização dos serviços, seus autores não dizem que nas principais cidades do mundo, e não são poucas, todos os serviços essenciais privatizados em anos passados, retornaram para o Estado.

Mas lutamos, sem trégua, que São Paulo não repita o mesmo fracasso de cidades como Londres, Paris e tantas outras. Pois, desfazer o que existe é muito mais fácil e rápido do que construir. E, no caso, reconstruir. Além, obviamente, de sempre resultar em mais custos aos cofres públicos.

Maurici é deputado estadual (PT - SP)

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do SAMPI

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