PREJUDICADOS

Com caratê fora da Olimpíada, atletas temem queda de patrocínio

Por Luana Nascimbene |
| Tempo de leitura: 3 min
Arquivo Pessoal
O carateca jundiaiense Grigor Gabriel Oliveira, de 23 anos, teme que a decisão do COI diminua o prestígio do caratê
O carateca jundiaiense Grigor Gabriel Oliveira, de 23 anos, teme que a decisão do COI diminua o prestígio do caratê

Com a saída do caratê dos Jogos Olímpicos de Paris 2024, atletas de Jundiaí lamentaram a decisão do comitê, temem possível queda de patrocínios nos próximos anos e pedem união das federações para que a modalidade volte à competição o mais breve possível.

O caratê entrou para o circuito olímpico na Olimpíada de 2020, em Tóquio, como esporte adicional, com duas disciplinas realizadas: o Kata (exercícios de performance) e o Kumite (técnicas de luta e defesa). Após estrear ao lado de outros três esportes (escalada esportiva, skate e surfe), além do retorno do beisebol, a arte marcial não foi incluída nos Jogos Olímpicos de 2024, causando preocupação em atletas da modalidade.

De acordo com o Comitê Olímpico Internacional (COI), as mudanças fazem parte das reformas da agenda olímpica, com a inclusão das novas modalidades (break dance e canoagem slalom extremo) - substituindo o caratê e o beisebol. Isso atende ao propósito de renovar os ideais olímpicos e conectar a geração mais jovem.

NOTÍCIA RUIM

O técnico de caratê do Time Jundiaí, Anderson Luis Bogniotti, disse que a saída da modalidade das Olimpíadas é muito triste, mas acredita na continuação dos projetos de incentivo à prática da arte marcial. "O caratê é uma arte marcial bem completa. Não é somente um esporte, mas também serve como terapia, desenvolvimento motor das crianças e defesa pessoal. É uma prática que foi muito bem vista na Olimpíada e não entendo porque foi retirada, mas pode ser que volte futuramente. Em relação ao patrocínio, eu acredito que pode acabar dificultando um pouco mais para os atletas, por não ser um esporte olímpico, mas hoje tem muitos projetos que são incentivadores, sem a necessidade de que seja modalidade olímpica, e isso nos ajuda bastante", afirmou o treinador.

Bogniotti também comentou sobre uma possível perda de interesse dos jovens pela modalidade. "Eu não acho que haja perda de aluno, porque a maioria dos jovens que procuram as aulas não foca em competir, mas em desenvolver a arte e nos benefícios que ela oferece. O caratê continua sendo uma das modalidades de artes marciais mais praticadas atualmente. E acredito que isso vai se manter", completou.

DIFICULDADE

Além do treinador, o carateca jundiaiense Grigor Gabriel Oliveira, de 23 anos, que pratica o esporte há 15, também lamentou a saída da modalidade e teme que a decisão do COI diminua o prestígio do caratê. "É uma perda muito grande. A modalidade ganhou muita visibilidade na última Olimpíada, foi um holofote enorme para os atletas. Minha maior preocupação é que a saída do esporte do circuito olímpico acabe 'apagando' um pouco a modalidade, diminuindo investimentos, patrocínios, interessados e até o prestígio em competições", explicou o atleta.

Grigor também opinou sobre a importância da união das federações neste momento para que o esporte volte ao circuito olímpico o quanto antes. "O caratê entrou para a Olimpíada de Tóquio como esporte adicionado, que funciona como teste antes da modalidade ser incluída em definitivo. A partir de agora, precisamos da união de todas as confederações do caratê para que ele volte para os Jogos Olímpicos em breve e em definitivo. Estamos torcendo muito por isso", completou o jundiaiense.

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