OPINIÃO

Alguns indicadores

02/02/2024 | Tempo de leitura: 3 min

Como é de conhecimento geral, contamos com indicadores muito fortes e marcantes, tais como: 400 anos de escravidão; último pais das Américas a abolir a escravidão; racismo cientifico segundo definições de Darwin; africanos escravizados e mortos - de mesmo modo os indígenas - em número muito superior aos mortos no holocausto, com o merecido respeito; os negros só puderam votar a partir da Constituição 1934; o movimento negro reprimido de 1964 até 1985; Cotas raciais no âmbito Federal, somente a partir do ano de 2014; a cada 23 minutos um jovem negro é vítima de morte violenta; os atos e ofensas raciais e de intolerância religiosa, especificamente as de matriz afro, se repetem a cada dia e em números assustadores, entre outros tantos de mesma ordem e magnitude.

É de se indagar das razões disso. Pois bem: Como também sabemos e na mesma linha do que disse Mandela: "Se se pode odiar, é possível também ensinar a amar". Tão simples e fácil. O problema não se limita a isso, mas decorre diretamente da educação quer no recanto do lar, quer na escola, quer nos exemplos, quer na aplicação da Justiça e da lei.

No recanto do lar, pois que os ensinamentos ancestrais dos que nutrem a ideia de que negro ainda é coisa, que é bandido em potencial; que não é capaz; e por ai vai se propagando, bastando analisar a simplicidade, ingenuidade e pureza com que crianças brancas brincam com negras sem qualquer distinção e, com o passar dos tempos, assimilam indicadores negativos e passam a acompanhar o pensamento e posturas maldosas. Assim vale o que disse Mandela.

Na educação, pois que o material didático-pedagógico é europeu e imposto sem avaliação ou exposição da verdade como deveria ser mascarando a realidade de que os seres humanos diferem apenas na cor da pele e isso não pode ser tratado com a falsa ideia de que um é superior ao outro.

Na aplicação da Justiça/Lei os resultados não favorecem as pessoas negras, tanto que há estudos sérios apontando que os negros sofrem as penas mais severas que os não-negros ainda que pratiquem o mesmo ilícito penal e julgados pelo mesmo magistrado; ou ainda, quando vítimas, as penas impostas aos causadores são tão pequenas que não servem como fator de inibição, ou seja, o agressor, ainda que condenado, não sente o peso da lei que o obrigue a pensar algumas vezes antes de ofender. Isso é real. Infelizmente!

Quanto aos exemplos, infelizmente os divulgados são, em grande parte, apontados aqueles que apresentam negros em situações constrangedoras, de violência, de agressão, pobreza extrema... provocando redução drástica da autoestima, como também da ideia de limitação acreditando que o lugar deles seria aquele imposto pelo dominante.

Some-se também os efeitos experimentados pelas vítimas das ofensas raciais, tais como: transtornos mentais, ansiedade, traumas, baixa autoestima, fobias, estresse, depressão, complexo de inferioridade, humilhações, chacotas... que podem parecer que aceitaram as clássicas "desculpas" mas, no íntimo, como venho afirmando: "Só quem é sabe o que é ser"; e como disse o poeta: "Só o dono da dor sabe o quando dói", e segue: "Ninguém pode imaginar o que não viveu".

É certo que, como aprendemos, não "vivemos em um mar de rosas", evidentemente que situações de toda ordem devem ser enfrentadas até enquanto ensinamento, porém o ideal é não dificultar ainda mais as coisas, mas prestigiar o que é bom e não o contrário.

Toda vez que abordo esse tema, sobrevém o questionamento: O que fazer?

A meu sentir, respondo: com educação regular e verdadeira, sem qualquer mascaramento recomendando ministrar ensinamento destacando a dignidade da pessoa humana, o potencial e grandes feitos (desastrosos ou não) de cada segmento social livre da maldosa imposição da superioridade de uma raça sobre a outra. Enfim, da verdade verdadeira.

As pessoas são iguais, mas diferentes. Iguais enquanto seres humanos e diferentes porque cada um é cada um, mas na essência somos iguais. Aqui lembro da minha mãezinha, doadora de sangue, que dizia que a pessoa que o recebeu não questiona a etnia.

Eginaldo Honorio é advogado, doutor Honoris Causa e conselheiro estadual da OAB/SP (eginaldo.honorio@gmail.com)

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do SAMPI

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