MORADA

Estilo de vida nômade é escolha de quem quer novidades sempre

Por Nathália Sousa |
| Tempo de leitura: 3 min
ARQUIVO PESSOAL
Jéssica Chaves já se hospedou em vários hotéis e gosta de mudar
Jéssica Chaves já se hospedou em vários hotéis e gosta de mudar

Há milhares de anos, o ser humano começou a adotar o estilo de vida sedentário, com o estabelecimento em um ponto fixo, deixando para trás o nomadismo. Graças a isso, a agricultura foi desenvolvida. Mas nem todas as tribos do mundo resolveram fixar morada em um local. E, até entre as que optaram, há pessoas que hoje prefiram viver sem endereço fixo.

A tendência ao nomadismo vem ganhando espaço, sobretudo por conta do trabalho remoto, que não exige a presencialidade em lugar nenhum, apenas o cumprimento de tarefas on-line. Assim, o número de nômades digitais, que trabalham enquanto viajam, triplicou na pandemia no Brasil, de acordo com a plataforma MBO Partners.

Mas antes mesmo da pandemia já era comum este estilo de vida. A advogada empresarial Jéssica Chaves, de 27 anos, prefere viver em hotéis e em espaços locados na plataforma Airbnb. "Estou há três anos entre Airbnb e hotel. Mas viver assim vem de muito antes de eu pensar em relação ao trabalho."

Ela conta que prefere a vida com a comodidade de hóspede. "Eu tinha me mudando para Jundiaí há alguns anos com contrato de locação, mas tive que fazer reformas no imóvel e isso despendia muito do meu orçamento, então já estava insatisfeita. Surgiu uma oportunidade de ir para Manaus a trabalho e eu teria um valor para financiar moradia. Me hospedei em todas as redes de hotéis de Manaus em praticamente 1 ano e meio, mas fiquei descontente com algumas. Fui para Airbnb e me hospedei em vários também. Um deles era um flat que ficava em um hotel e gostei tanto que acabei adquirindo a unidade, mas não ficava só lá, fui conhecer outros lugares, então passei a ser anfitriã também, coloquei o flat no Airbnb."

Em Manaus, Jéssica chegou a morar até em uma casa flutuante e diz que o desejo de não criar raízes é algo pessoal. "Meu pai tem a casa dele há anos e não saiu nunca. Eu já sou mais passarinho. Tem um cansaço de mudar, mas sou muito desprendida, gosto de conhecer outros lugares", define. "Penso muito em network, não só para trabalho, mas para vida. Conheço pessoas que eu não conheceria em uma residência fixa."

PROCURA

Gerente de um combo de hotéis que inclui uma rede de aparthotel, Lilian Franco acredita que a visão sobre a hospedagem mudou. "Sempre existiram pessoas que moravam em aparthotel, mas pelos serviços disponíveis. Sempre foi algo considerado por pouca gente, e em situações como mudar para uma cidade e morar em hotel ao invés de já alugar um lugar. Acho que isso passou a ser um pouco mais frequente, porque, depois da pandemia, as pessoas passaram a pensar em opções de compartilhamento. É algo mais tranquilo para quem mora sozinho e por isso vem se tornando mais popular. Tanto que nossos hotéis vem trabalhando fortemente nisso, com apartamentos para hospedagem longa."

Lilian diz que em muitos casos é mais fácil contratar serviços como lavanderia e alimentação no hotel do que investir nesses espaços em uma residência, por isso, há também adequação de valores, para que a hospedagem seja atrativa. "A gente já considera alternativas de valores. O que as pessoas buscam é o básico e podem se adequar. Hoje, oferecemos preços competitivos e já temos serviços nos quartos como a arrumação uma vez por semana, então é um custo que você já teria em uma casa. Tem preços que não ficam tão mais caros que a locação de um apartamento", explica.

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