TAREFAS

Maioria das mulheres nem-nem cuida da casa

Estudo do IBGE mostra que trabalho doméstico e cuidado com parentes ocupam rotinas

Por Nathália Sousa | 08/12/2023 | Tempo de leitura: 2 min

Divulgação

O cuidado doméstico e com familiares ocupa a rotina de muitas mulheres no Brasil no ano passado
O cuidado doméstico e com familiares ocupa a rotina de muitas mulheres no Brasil no ano passado

Uma pesquisa divulgada pelo IBGE na última quarta-feira (6) mostra que mais de 2,5 milhões de mulheres com idade entre 15 e 29 anos que não trabalharam e nem estudaram no Brasil estiveram dedicadas ao trabalho doméstico ou com parentes. Deste total, 2 milhões não procuravam trabalho e mais de 500 mil tinham interesse em trabalhar, mas, por conta dos afazeres, não podiam.

Quem não estuda e nem trabalha é conhecido como nem-nem. Muitas vezes, há preconceito com relação a essas pessoas, mas os motivos para que não estejam no mercado de trabalho ou se dedicando à formação são diversos, como problemas de saúde, falta de emprego ou o principal, o cuidado da casa ou família, principalmente entre mulheres.

FRUSTRAÇÃO

Psicóloga especialista em saúde mental da mulher, Bárbara Lais da Silva diz que há diversos fatores para que o cuidado seja atribuído a mulheres. "Tem muitas coisas, eu não conseguiria dar uma resposta única e objetiva, é uma questão cultural, social e histórica. Falar sobre essa demanda da mulher e do quanto dedicam é pertinente. Tem o patriarcado e a religião, a crença de que a mulher precisa se dedicar à maternidade. A religião, principalmente o Cristianismo, reforça a ideia de que a mulher edifica a casa e precisa se doar. Quando falamos de maternidade compulsória, há a ideia de que ela precisa ser mãe para ser feliz, conhecer o amor verdadeiro. E também tem a ideia desde pequenas, de que precisamos de um príncipe encantado para sermos felizes", explica.

E, sem equidade, as mulheres acabam acumulando funções. "Algumas pessoas se aproveitam do discurso de que a mulher lutou para trabalhar fora e reclama quando não consegue conciliar com o trabalho de casa. Mas o que buscamos é equidade, o trabalho doméstico para a mulher não é tido como trabalho, é amor, cuidado, mas é problemático, porque é um trabalho que, além se não ser remunerado, não tem horário."

A psicóloga lembra ainda que essa ideia da mulher ser cuidadora e responsável pela casa é construída desde a infância. "Isso se dá por conta da construção de gênero é feita a partir do sexo biológico. A mulher é ensinada a ser cuidadosa, pacífica, compreensiva, já o homem é criado para ganhar dinheiro e não cuidar. Mulheres que cresceram com irmãos, por exemplo, precisavam ajudar a mãe antes de ir brincar, ao contrário dos irmãos", lembra ela sobre a incumbência de tarefas.

2 COMENTÁRIOS

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  • Não interessa
    11/12/2023
    Interessante a reportagem, que fala sobre o preconceito com relação às mulheres que trabalham em casa, contudo, o próprio autor da reportagem se refere a essas mulheres de maneira pejorativa logo no título do texto: \"Maioria das mulheres nem-nem cuida da casa\". Nem-nem??! Mulheres que \"nem\" estudam e \"nem\" trabalham?! E no decorrer do texto o autor diz que essas mulheres \"nem-nem\" trabalham em casa, então, resumindo, trabalham sem remuneração. Repensem uma forma menos ofensiva ao se referirem às trabalhadoras. Não sejam dúbios, ou vocês revelam preconceito ou defendem essas mulheres, não tem como ter as duas opiniões ao mesmo tempo.
  • Anônimo
    09/12/2023
    Qd meu pai morreu, meu irmão quis ficar c minha mãe. Eu morava longe. Um dos fatos que mais ridículos que vi acontecer, foi ele me mandar msg dizendo que a geladeira da minha mãe estava cheia de coisas vencidas e que ele ia pedir pra mulher dele limpar! Minha mãe tem condição financeira de manter até uma acompanhante e o “homão” q não me deixou levá-la comigo, não pode dar uma geral na geladeira, ele só quer administrar o dinheiro dela, comprando terreno e ela pagando, e ele pondo só no nome dele! Não sei mais o q pensar dos homens, principalmente de homens “espertos” como o meu irmão e que me abusou na infância dos 11 aos 15 anos e só agora c mais de 50, é q consigo falar sobre isso.