OPINIÃO

A vida é um direito inviolável

12/11/2023 | Tempo de leitura: 3 min

"Eu vim para que todos tenham vida e vida em abundância!" (Jo 10,10)

"A vida humana deve ser respeitada e protegida de maneira absoluta a partir do momento da concepção (Catecismo da Igreja Católica). Desde o primeiro momento de sua existência, o ser humano deve ver reconhecidos os seus direitos de pessoa, entre os quais o direito inviolável de todo ser inocente à vida" (n. 2270). Se a vida é um dom de Deus, injustiça para com Ele é recusar esse dom e impossibilitá-lo àqueles que ainda não nasceram.

Estejamos atentos! A vida que somos chamados a promover e defender não é um conceito abstrato, ela sempre se manifesta em uma pessoa em carne e osso: uma criança recém-concebida, uma pessoa marginalizada, um paciente solitário e desanimado ou em estado terminal, alguém que perdeu o emprego ou não consegue encontrar outra oportunidade, um migrante recusado ou "guetizado", a mulher vítima de abuso. Defender a vida das injustiças humanas implica nunca estarmos alheios aos sofrimentos humanos reais, desde a fecundação até a morte natural. A vida tem rosto. A vida tem nome. A vida tem história.

Reflitamos sobre a terrível injustiça promovida pelas campanhas e projetos de descriminalização da prática do aborto em nosso país.

Do mesmo modo, pensemos nas diversas situações de degradação da vida humana. Em todas essas situações, a vida diminuída se revela como um grande aborto social, onde vítimas indefesas gritam na mesma altura das crianças ainda no ventre. A morte de uma vida deve doer tanto em nossas consciências quanto a morte de outra. Entre matar e deixar morrer, muitas vezes, habita a distância de nossa cumplicidade.

A defesa da vida em sua integralidade só é possível quando nos sentimos membros de uma mesma família. Só quando nos dispomos a ser uma família acolhedora é que podemos oferecer à vida um lugar de crescimento e multiplicação. O Papa Francisco nos exorta em Fratelli Tutti: "Sonhemos com uma única humanidade, como caminhantes da mesma carne humana".

Devemos recordar e valorizar as iniciativas que já existem de promoção da vida em nossa cidade, diocese e paróquias. Destaco o incansável e imprescindível trabalho da Pastoral da Criança em nosso país, fruto de uma preocupação latente com o nascimento e cuidado das crianças na primeira infância. Como não destacar também o belíssimo trabalho realizado pelas Pastorais Sociais, pelos vicentinos, pelas diversas comunidades de apoio e recuperação de dependentes químicos, alcoólicos anônimos, e tantos outros. Lembremo-nos dos cuidados dispensados por tantos asilos e creches, hospitais e orfanatos, casas de acolhida e de passagem, grupos de apoio a mulheres vítimas de violência, Pastoral do Menor, e uma infinidade de iniciativas onde os cristãos proclamam a defesa da vida em toda sua amplitude. Somos a Igreja da Vida! E não qualquer forma de vida, mas a Vida em Abundância.

Devemos ainda estender o nosso olhar para a amplitude do conceito vida. Conforme apelo recente do nosso Papa Francisco, devemos também cuidar da vida do planeta (cf. Laudato Sí). Penso na importância de cultivarmos atitudes ecológicas que estejam ao nosso alcance, no contexto de nossas demandas territoriais. Como não se preocupar com a nossa Serra do Japi, tão importante para o equilíbrio ambiental e social de nossa região?

Lutemos para que num país tão injusto e desigual como o nosso, nós nunca desanimemos de recomeçar. Há muitas vidas em jogo diante da nossa atitude ou do nosso silêncio.

Respeite, defenda, ame e sirva a vida, toda vida, toda vida humana! Somente neste caminho você encontrará justiça, desenvolvimento, liberdade, paz e felicidade!

E acima de tudo, lembremos: A VIDA PREVALECE! A MORTE NUNCA TERÁ A ÚLTIMA PALAVRA!

Dom Arnaldo Carvalheiro Neto é bispo diocesano de Jundiaí (verboadm@dj.org.br)

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do SAMPI

COMENTÁRIOS

A responsabilidade pelos comentários é exclusiva dos respectivos autores. Por isso, os leitores e usuários desse canal encontram-se sujeitos às condições de uso do portal de internet do Portal SAMPI e se comprometem a respeitar o código de Conduta On-line do SAMPI.