REPASSE

Jundiaí já tem um veículo a cada 1,2 habitante

Por Nathália Sousa |
| Tempo de leitura: 3 min
ELTON OLIVEIRA / ARQUIVO JJ
A frota de Jundiaí teve aumento nos últimos anos, mas também ficou consideravelmente mais cara
A frota de Jundiaí teve aumento nos últimos anos, mas também ficou consideravelmente mais cara

Em Jundiaí, a arrecadação do imposto sobre a propriedade de veículos automotores (IPVA) aumentou bastante nos últimos anos. Há uma somatória de fatores para isso, do aumento do preço de veículos ao aumento da frota em si do município. Jundiaí já tem um veículo a cada 1,2 habitante. E, mesmo que também sejam utilizados para fins comerciais e serviços, a quantidade de automóveis e motocicletas é alta.

De acordo com a Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran), em dezembro do ano passado, Jundiaí, com população de 443.116, tinha 352.265 veículos, frota maior que a de estados como Amapá, Roraima e Acre. O aumento no ano passado foi de 2,26% em relação a dezembro de 2021. Já de 2020 para 2021, o aumento foi de 2%. De 2019 para 2020, a frota jundiaiense teve implemento de 1,3%. E, de 2018 para 2019, 2,6%.

Já de acordo com a Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo, o repasse da quota-parte do IPVA, que representa metade da arrecadação de cada município, foi de R$ 169.580.657,19 no primeiro semestre deste ano. Houve aumento de 28,3% em relação ao mesmo período do ano passado. Já no comparativo entre os primeiros semestres de 2021 e 2020, o aumento foi de 23,7%. De 2020 para 2021, o aumento no período foi de 7,9%. Já de 2019 para 2020, a arrecadação e consequentemente o repasse teve aumento de apenas 1,6%.

De acordo com dados do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), nos últimos dez anos até o início da pandemia, a inflação de veículos novos foi de 19,5% e a de usados foi quase 30% no mesmo período, enquanto a inflação geral no país foi de 65,5%. Já entre março de 2020 e março de 2023, a inflação geral subiu 25,7%, a de veículos novos subiu 42,9% e a de usados 62,3%. Ou seja, comprar um carro, seja novo ou usado, ficou consideravelmente mais caro após a pandemia, o que reflete no valor do IPVA. O imposto é calculado sobre o valor do veículo, então um veículo mais caro representa uma arrecadação maior.

REFLEXO

De acordo com o economista Messias Mercadante, a arrecadação maior do IPVA é resultado de uma somatória de mudanças. "O repasse é reflexo de alguns fatores, como aumento populacional, a migração de um pessoal de renda mais elevada para Jundiaí nos últimos anos, principalmente vindos de São Paulo. Também houve aumento do preço dos veículos, aumentou vegetativamente e vieram veículos mais sofisticados para cá, de maior valor", lembra.

Mercadante também fala sobre a possível solução para diminuir a quantidade de veículos nas ruas da cidade. "Tudo na economia tem um processo de causa e efeito. A prefeitura quer ampliar a frota do transporte urbano. Um bom transporte público pode diminuir o uso dos veículos, é inerente a vantagem do setor público em tirar veículos das ruas. É o preço que se paga pela qualidade de vida que Jundiaí tem, muita gente que conhece a cidade quer morar aqui. Esse desafio vem sendo enfrentado e há estratégias para mitigar esse fato autônomo."

Para o economista, com o aumento do IPVA, motivado pela inflação dos veículos, o parcelamento para o pagamento tem sido uma boa medida. "Acho que em uma economia como a nossa, que ainda tem um nível de instabilidade, é muito importante o parcelamento maior, porque desonera o fluxo de caixa das pessoas e evita a inadimplência. É muito importante para que haja liquidez do IPVA e deve continuar por enquanto."

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