Recentemente, Bobi, o cachorro mais velho do mundo, completou 31 anos com direito à festa e espaço no Guinness World Records, em Portugal. Isso levantou a discussão sobre o envelhecimento dos animais de estimação, uma realidade que a maioria dos tutores enfrenta. E para que os pets tenham uma melhor qualidade de vida nessa fase, é preciso oferecer carinho, cuidado e tranquilidade.
A economista Luciana é tutora de vários animais, alguns já idosos. A vira-lata Isabel, de 18 anos, é a mais velha da turma e agora que está com a idade avançada, é nítida a mudança de rotina e cuidados. "A Isabel precisa de bastante atenção, principalmente agora com o frio. As articulações dela doem, por isso procuro sempre colocar roupinha, trocada todos os dias para não incomodar. Ela faz tratamento com acupuntura e exames com maior frequência também." Em relação às mudanças comportamentais do animal, Luciana revela que Isabel ficou mais pacífica. "Até os 14 anos, ela era muito brava. Agora é um dengo. Fica mais perto de mim, demonstra mais carinho."
As mudanças comportamentais também trouxeram manias. "Ela escolhe a coberta que quer dormir, assim como o pratinho para comer porque ficou muito seletiva", a tutora pontua com leveza.
Antonio Vladika, 21 anos, estudante de direito, convive com a Didi, uma maltês, desde 2007. Ele conta como percebeu que a pet estava entrando na terceira idade. "Ela começou a andar mais devagar, o apetite não era mais o mesmo e parecia estar com dores no corpo. Não tardou e comecei a perceber sintomas de demência nela e certos comportamentos eram muito atípicos. Mas hoje percebo que faz parte do envelhecimento natural de um cachorro."
A rotina da família Vladika mudou a partir desse momento. "Começamos a fazer acompanhamento mensal em um veterinário, aloquei ela em um local mais confortável, de acordo com a prescrição do veterinário. Preciso carregar ela no colo para ir em certos lugares, amolecer a ração para ela comer, devido a falta de força para mastigar, medicar e sempre estar atento às necessidades dela", salienta.
Antonio finaliza dizendo que fazer acompanhamentos preventivos com veterinário é o ideal. Os animais precisam, assim como os humanos, de acompanhamento especializado para identificar e tratar possíveis enfermidades.
NEGUINHA, CAPITU E NINA
Criadas juntas pela mesma família, Neguinha (uma poodle mestiça), Capitu e Nina (ambas pinschers) tiveram uma longa vida antes de partirem, todas até quase seus 18 anos.
"A primeira que nos deixou foi a Neguinha", conta Rosemary Silva Ferreira, ex-tutora da cachorra. "Foi tudo muito rápido, na verdade. Uma semana antes dela morrer, percebi que estava com falta de ar e tosses. Ela tinha 17 anos, então já fiquei em alerta com aqueles sintomas por ela já ser velhinha."
Já Capitu e Nina, as pets que eram da mãe de Rosemary, Maria Soares, se despediram com seus 18 anos. "A Capitu era mãe da Nina. Ela já era doentinha desde pequena. Tinha ataques epiléticos, mas também estava desenvolvendo outras doenças pela idade".
Maria explica que o procedimento deixava Capitu um pouco debilitada, mas que a família nunca foi a favor da eutanásia. "Nós conversamos com a veterinária e eu lembro que ela me disse 'Maria, a Capitu não quer morrer. Vocês a tratam com muito carinho e amor. Ela sente isso, por isso não quer ir.' Depois disso, houve um episódio em que a Capitu, que já estava cega, acordou no meio da noite e se machucou muito. Então, eu dei um banho quentinho nela, coloquei uma roupinha e disse que ela podia ir. Que eu não iria ficar triste. Coloquei ela pra dormir na caminha e no outro dia quando acordei, ela estava morta."
Com a Nina, Maria conta que, infelizmente, precisaram optar pela eutanásia. "Ela já não estava comendo porque não tinha nenhum dentinho na boca. A Nina já estava bem velhinha, não tinha nenhuma doença, mas a idade a deixava bem debilitada. Então, conversei com uma veterinária e achamos melhor deixá-la descansar. Faz um ano que ela se foi. Ainda sinto muitas saudades."
CUIDADOS
A veterinária Julia Camargo explica que para um animal ser considerado idoso, depende do seu porte. "Portes grandes, como rottweiler, pastor alemão, dog alemão com idade de nove anos, já é considerado idoso. O pequeno porte, 10 e 11 anos." Porém, independente do porte, os cuidados são os mesmos. "São os cuidados básicos, como dietas específicas para animais idosos, rações próprias, proteínas, carboidratos, cálcio, tudo bem calculado. Existem muitas rações que também já tem colágeno, o que melhora essa parte da articulação."