As cidades do estado de São Paulo estão recebendo o Projeto Geloteca SP, uma ação que tem como objetivo tornar geladeiras desativadas em "bibliotecas ambulantes" nas estações e em outros pontos, que variam conforme a região.
O Projeto Geloteca SP está em atividade desde 2016, idealizado pelo professor de arte e psicólogo da educação, João Belmonte, para despertar a leitura e a troca de exemplares entre as comunidades periféricas em pontos de deslocamentos e encontros dessas pessoas. Até hoje, o artista já grafitou mais de 180 Gelotecas e o projeto se replicou pelo Brasil e no Uruguai.
Na Região de Jundiaí, o projeto tem parceria com o Instituto Buscar, de Campo Limpo Paulista, que há dois anos propaga o projeto na região. De acordo com o diretor presidente do instituto, Daniel Cirilo, o objetivo do projeto é circular a cultura da literatura novamente e incentivar o interesse à leitura e a busca por conhecimento. "O objetivo do projeto é ressignificar uma geladeira velha que seria descartada no meio ambiente e reutilizá-la dando uma nova roupagem e utilizando o espaço público para que as crianças participem e se tornem "guardiãs dos livros" e os adultos, que já leram um livro, pega esse livro e leva para doar e pega outro que ainda não leu, fazendo essa cultura da literatura circular novamente e dar acesso a leitura às pessoas que não tem condições de ter um livro ou que estão esperando um trem e vão trabalhar, que podem pegar o livro e depois devolver. Isso faz um efeito muito grande literal e educativo na vida das pessoas", explicou o diretor. "O projeto é gratuito para a população. Apesar do custo que nós temos de pegar geladeira e pintar, isso vai se expandindo e vai dando uma cultura de cuidado, amor ao próximo, proteção ao livro e às coisas públicas. Fica disponível para as pessoas e basta que elas tenham esse cuidado de carinho, de levar, de devolver, etc", complementou.
Além disso, Daniel explica que este projeto impacta diretamente na vida das pessoas "Já tivemos vários depoimentos de pessoas que estudaram com aquele livro ou que despertou o interesse em voltar a estudar. Uma vez eu estava no trem e uma mulher disse que ela estava passando necessidade na família e este livro, que retratava sobre família, ajudou ela a passar por aquele momento", contou o diretor.
Ao longo de dois anos, cinco gelotecas foram instaladas na região: uma em Jundiai (CPTM), uma em Francisco Morato (CPTM), e outras três em Campo Limpo Paulista (CPTM, Campo Verde e escola Yoda Ensina).