Com o início de um novo ano, zerar dívidas é uma meta para muitas pessoas, inclusive jundiaienses. No município, 135.092 pessoas terminaram 2022 inadimplentes, quase um terço da população. Já em relação às dívidas, o ano passado terminou com 494.555, média de 1,16 para cada jundiaiense. Entre janeiro e novembro de 2022, mais de 7 mil pessoas entraram na estatística da inadimplência em Jundiaí e a quantidade de dívidas na cidade teve acréscimo de mais de 47 mil. Os dados são da Serasa Experian.
META
Especialista em finanças e diretor de pós-graduação da UniAnchieta, Filipe Pires explica que é possível se livrar das dívidas reorganizando-as. "A primeira tomada de decisão é pela consciência. O endividamento faz parte das práticas que geram crescimento econômico, pode antecipar o consumo desde que seja adequado ao planejamento financeiro, ou seja, caiba no seu bolso. Mas quando você fica inadimplente, o credor pode te gerar sanções."
"Quando você se posiciona no viés de inadimplência, é necessária a noção completa do que as sanções vão te gerar. Claro que em casos como energia e gás, por exemplo, precisa sanar o quanto antes. Uma possibilidade é pedir emprestado, mas a questão é saber a quem solicitar e os custos, tanto para pessoa física quanto jurídica", conta Filipe.
O especialista orienta que se procure juros mais baixos. "Há a chance de não conseguir captar o custo que caiba no orçamento para que você não volte a ficar inadimplente. Aí não tem jeito, cortes são necessários, mudar o estilo de vida. Você terá o custo da dívida e dos juros, mas se são elevados, você tem a possibilidade de encontrar juros mais baixos."
E no Brasil, os juros são um grande problema. "No caso de cartão de crédito, o próprio parcelamento já é elevado, mas mais baixo que o rotativo, você troca de 300% para 100% ao ano. Se eu tenho um bem de garantia, é ainda mais fácil conseguir empréstimo a taxas de juros mais baixas."
Por isso, Filipe reitera que o pagamento exige organização. "É fundamental uma estratégia de mitigação. Além de buscar solução, ela precisa se encaixar ao novo momento, pelo menos até sanar a causa do problema e pagar esse recurso que você precisou captar. Se manter em dívida, mas não inadimplente, precisa ser saudável."
Desde que não seja algo essencial, como energia e água, por exemplo, a negociação, que costuma acontecer nos fins de ano, é uma boa opção. "É vantajoso aguardar uma negociação de dívida desde que isso não te impeça de sobreviver. Ter energia e gás cortados, por exemplo, te impede de residir, além de ter seu nome vinculado a restrições. Muitas pessoas atribuem o limite de cartão como segunda renda. Ele não é, mas o grande problema é que muitas vezes vem de uma necessidade, como o aumento do custo de vida. Para manter o padrão de vida, fazer três refeições ao dia, é preciso recorrer ao cartão."
TFilipe também ressalta que é preciso buscar a parceria certa para conseguir crédito e pagar as contas, mas é necessário se informar bem. "Há alguns anos poucos bancos dominavam o mercado financeiro, mas hoje há outras soluções, como fintechs que são especializadas em clientes com baixo score, mas exigem pesquisa", fala.
PREOCUPANTE
O problema do endividamento não atinge só Jundiaí. Em nível nacional, de acordo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic) realizada em dezembro de 2022, 78,9% das famílias brasileiras ficaram com dívidas, em atraso ou não, no mês de novembro. Com isso, houve um aumento de 3,3% em comparação com 2021. Ainda de acordo com a Peic, destacam-se as dívidas de cartão de crédito, representando 85,6% do número de endividados no país, e, em seguida, com 19,4%, os carnês aparecem como outro motivo de endividamento.
No ano passado, o endividamento atingiu 78% das famílias brasileiras no primeiro semestre. O maior patamar da série histórica para o período desde 2010. Para se ter uma ideia, em junho de 2020, o nível de endividamento das famílias era de 67%, passando para 71% em junho 2021. Isso significa que, há poucos meses, mais de 13,1 milhões de lares residentes nas capitais brasileiras estavam endividados, 1,16 milhão (9,7%) a mais em comparação a junho de 2021. Esse levantamento foi feito pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo.