Uma ferrovia é construída, operada, mantida e gerida a muitas mãos. Além da sinergia diária que promove trocas de experiências, a união entre as áreas e equipes contribui para perpetuar o legado ferroviário entre os mais experientes e quem está no início da carreira, como a turma de 40 jovens aprendizes que atuam nas áreas de Atendimento e Manutenção desde o início do ano na TIC Trens, concessionária responsável pela implantação, operação e manutenção dos futuros serviços TIC e TIM (Trem Intermetropolitano), assim como pela operação, manutenção e modernização da Linha 7-Rubi.
Nesta quinta-feira (30), Dia do Ferroviário, mais de 1,5 mil ferroviários de diversas áreas se unem para manter e operar uma linha que transporta mais de 400 mil pessoas por dia e escrever um novo capítulo na história da ferrovia: a implantação do primeiro projeto estruturado de trem de média velocidade do Brasil.
Quatro décadas de história e experiência
Com mais de 40 anos de dedicação ao setor, o diretor de Operação e Manutenção José Luiz Bastos iniciou sua trajetória no metrô. “Passei por diversas funções, o que me permitiu conhecer a operação em profundidade, entender seus desafios reais e construir uma visão sistêmica do negócio. Tive a oportunidade de atuar na área jurídica, mas foi na operação que encontrei meu verdadeiro lugar”, afirma.

Apaixonado por velocidade, chegou a ingressar no automobilismo como piloto. “Percebi que a velocidade podia ganhar um novo significado: não mais individual, mas coletivo. Passei a me encantar pela ideia de contribuir para transportar milhares de pessoas com segurança, eficiência e precisão. Assim, encontrei um propósito muito maior: viver o desafio de estruturar a operação e manutenção de um projeto de média velocidade no Brasil”, conta.
Paixão que atravessa gerações
Para o analista de manutenção Gilmar Pereira Belem, trabalhar na ferrovia significa mais do que uma jornada profissional. É um legado familiar. Com 53 anos de idade, já soma mais da metade da própria vida atuando no setor. São 28 anos seguindo os passos do avô, que foi agente de estação da Rede Ferroviária Federal S.A. na cidade de São Lourenço, em Minas Gerais.

“Eu cresci praticamente dentro da estação. Morávamos tão perto que aquele espaço virou extensão da nossa casa, cenário das minhas brincadeiras de infância e palco das minhas primeiras memórias. Ser ferroviário, para mim, nunca foi apenas uma profissão: é herança, é identidade, é algo que corre nas veias. Ser ferroviário é trabalhar muitas vezes nos bastidores, mas com a certeza de que seu esforço move uma cidade inteira”, afirma, com orgulho.
Ferrovia no DNA
O técnico de manutenção de rede aérea, Alessandro Gouveia de Castro, reúne motivos para comemorar este Dia do Ferroviário. O profissional completou 20 anos no setor e perpetua um legado que transcende gerações e continentes: é bisneto de um ferroviário russo.

Anton Ivanovitch Zavarov, bisavô de Alessandro, era fiscal de tráfego no departamento de verificação de documentos da Transiberiana, a maior ferrovia do mundo, que conecta Moscou a Vladivostok. Trabalhou de 1949 a 1979 na RZD, estatal russa responsável pela operação da linha. O trabalho do ferroviário russo era no trecho de Tomsk a Krasnoyarsk, recebendo locomotivas e funcionários no pátio.
Além da influência dos antepassados russos, Alessandro também tem em sua genealogia ferroviários brasileiros. Seu bisavô materno, José Marinho, trabalhou dos anos 1950 aos anos 1970 como maquinista na Rede Ferroviária Federal S.A em Alagoas, operando trens de carga.
"Meus bisavôs são minhas inspirações e a base para quem sou hoje, pessoalmente e profissionalmente. É uma honra ter a oportunidade de seguir os passos da minha família na TIC Trens e entregar o meu melhor todos os dias no time de manutenção de rede aérea, responsável por levar energia aos trens que transportam cerca de 400 mil pessoas por dia", afirma Alessandro.
"Saber que meu bisavô trabalhou na maior ferrovia do mundo me enche de orgulho e poder integrar o TIC Eixo Norte, primeiro projeto estruturado de trem de média velocidade do país, me proporciona uma alegria diária", completa.
Para perpetuar o legado, Alessandro sempre anda de trem com a filha Alice, de 14 anos, que já demonstrou interesse em se tornar ferroviária. "Aqui na TIC Trens, nos dedicamos diariamente para proporcionar um serviço de qualidade para quem utiliza a Linha 7-Rubi e para os passageiros que, assim como a minha filha, vão se lembrar de como o futuro da mobilidade começou."
Nova geração de ferroviários
Filha de ferroviário, Maria Clara Pena Amorim teve sua primeira oportunidade profissional na TIC Trens para seguir os passos do pai, que foi maquinista e hoje é supervisor de tráfego. Aos 18 anos, a jovem aprendiz atua no setor de Atendimento da TIC Trens. “Aprendi que a ferrovia é uma mudança constante e que todos estão sempre fazendo o melhor para que tudo funcione com precisão a cada viagem”, diz Maria Clara.
Já Matheus Vieira Guimarães, também com 18 anos, dá continuidade ao legado da mãe maquinista e do pai, que atua na área de manutenção ferroviária. “Meus pais tiveram a oportunidade de vir de Salvador, na Bahia, para São Paulo, justamente para trabalhar na ferrovia. Após um tempo, também vim para atuar no mesmo setor, como jovem aprendiz na área de Atendimento da TIC Trens”, conta.

“Sempre tive curiosidade de conhecer como funcionam os bastidores do transporte ferroviário. Agora, descobri que é um universo amplo, com várias áreas e diferentes profissionais. Tenho aprendido diariamente com as trocas de experiências”, finaliza o jovem aprendiz.
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