TRANSTORNO

Problema há décadas, 'Esqueleto' pode ser vendido ou demolido

Por Kaique Castro | da Redação
| Tempo de leitura: 4 min
Dirceu Garcia/GCN
O prédio conhecido como “Esqueleto” continua sendo um transtorno para a população de Franca. Localizado em um dos pontos mais valorizados da cidade, na avenida Adhemar Polo Filho, no Jardim Lima, há décadas está abandonado. Um destino para o prédio foi uma das promessas de campanha do prefeito Alexandre Ferreira (MDB), que pretende resolver o problema - de um jeito, ou de outro. 
 
O terreno era do município e foi doado em 1980 ao Governo do Estado. O plano inicial era usar a área para instalar uma unidade da Secretaria da Fazenda. Longos 25 anos depois, em 2006, com parte da estrutura pronta, o imóvel foi repassado para o Tribunal Regional Federal. O novo plano previa ali a instalação da sede da Justiça Federal. Não saiu do projeto. No final de 2017, o então governador do Estado, Geraldo Alckmin (PSDB), devolveu o prédio para que o município bancasse a manutenção, eventuais despesas de conclusão e fizesse com o prédio o que bem entendesse. Na época, a finalização das obras foi estimada em R$ 15 milhões.
 
Morador do bairro há cerca de 40 anos e vizinho do prédio, Benedito Silva dos Santos, de 68 anos, lembra bem como foram as muitas promessas. Com uma arquitetura bonita, ele acreditava que o edifício fosse valorizar o bairro. “Eu me lembro como era o terreno. Se você vir a maquete como ia ficar... Ia ser maravilhoso. Ele ia ser todo de vidro, ter colunas com pastilhas. Mas aí, no final de 1995, eles pararam a obra e acabou com tudo”, lembra o aposentado. 

Benedito é testemunha de todas as fases - e os múltiplos problemas - protagonizadas pelas obras do prédio. Segundo ele, após a responsabilidade ser transferida para a prefeitura, a situação só piorou. “Quando o prédio estava com o Governo Federal, mesmo inacabado, era conservado. Tinha segurança, jardinagem. Depois de alguns anos, tinha a briga se ia ter ou não guarda, mas tinha. Logo depois que foi repassado para a Prefeitura, aí acabou... Virou um bordel. Tem prostituição, tráfico, um monte de coisa. E agora, a gente está notando o tanto de criança que vem. Ficam sentados na beirada do prédio. Chego a arrepiar. Não sei como não aconteceu uma tragédia ali ainda”, continuou Benedito. 

Adolescentes e crianças detidas
A cena narrada por Benedito foi testemunhada por várias pessoas no último dia 11 de março. Um grupo de 17 adolescentes e crianças, com idades entre 7 e 17 anos, foi detido pela Guarda Civil Municipal após ser flagrado fazendo “rapel” no prédio. 
Na ocasião, a Guarda Civil Municipal e a Polícia Militar compareceram ao prédio e levaram os adolescentes até a CPJ (Central de Polícia Judiciária). Segundo a GCM, o “Esqueleto” é alvo constante de denúncias. Apesar da constates batidas da Polícia Militar e da Guarda Civil no local, os frequentadores continuaram desrespeitando a proibição de entrada. 

O professor Fábio Novaes, de 55 anos, contou que além de pessoas que vão ali somente para "admirar" a paisagem, criminosos também frequentam o prédio. “Na última sexta-feira, você via pessoas consumindo bebidas alcoólicas no local. A gente não sabe quem são essas pessoas. É perigoso. Alguns estão no alto do prédio e de lá de cima é possível ver as casas, quem está em casa ou não. Bastava que um sujeito lá de cima visse a janela fechada e percebia que ali não havia gente, possibilitando haver furtos aqui no bairro”, acredita o professor. 

Além do perigo de roubos e perturbação de sossego, Fábio afirma que adolescentes entram de bicicletas e skate, podendo causar acidentes. “É preocupante a situação do prédio. Ele não tem guarda-corpo ou proteção. A gente sempre imaginou essas pessoas consumindo bebidas e drogas, subindo de skate ou de bicicleta para brincar... É perigoso. Enquanto esse prédio estiver sem nenhuma proteção, não tiver segurança e estiver à mercê de quem queira entrar, sempre haverá risco de acidentes”, alerta Fábio. 

Moradores de rua
Quando a Prefeitura de Franca assumiu a administração do imóvel, no governo Gilson de Souza (DEM), moradores de rua se instalaram no local. Um deles estava morando no cômodo destinado à casa de máquinas dos elevadores. Equipamentos foram furtados. Hoje resta apenas a carcaça do equipamento. Servidores da Secretaria de Ação Social também encontraram um quarto montado e com pertences. 

Venda ou demolição
Desde que o prédio foi devolvido para o município, o imóvel tem sido objeto de promessas e planos pelos prefeitos. Em dezembro de 2017, Gilson de Souza (DEM) disse que pretendia construir uma unidade de saúde voltada para o público feminino, mas a ideia não saiu do papel. O prédio continuou abandonado e a unidade de saúde foi instalada no antigo prédio do Ministério Público. 

Alexandre Ferreira (MDB), que assumiu o comando da prefeitura em janeiro, disse em nota à reportagem que o local está fechado e que a Guarda Civil Municipal vem fazendo rondas na região. Apesar das rondas, os problemas se multiplicam. Na última semana, houve até um suicídio no local.
 
Segundo a administração municipal, estudos avaliam a viabilidade de venda do imóvel. Se não for possível ou não houver interessados, o prédio deve ser demolido. A prefeitura não fixou prazos para a solução do problema.

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