Antígona, mais viva que nunca


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(Sobe a polêmica envolvendo Drauzio Varella e Suzy)

 

Lembro-me perfeitamente da forte impressão que me causou o best-seller Estação Carandiru, do Drauzio Varella. Embora premiado, sabia que o autor não era um Machado de Assis. O escritor Drauzio esboça um realismo sem cetro e sem mimetizar a vida no presídio, ao contrário, mostra como ela é de verdade, além de humanizar o criminoso. O mérito da obra, além da boa narrativa, é a isenção de juízo de valor. Cito de memória uma entrevista com o médico, que pontuou a premissa de seu trabalho voluntário pelos presídios: essencialmente não saber qual crime levara seus assistidos para a reclusão. E lembro perfeitamente do meu questionamento acerca do merecimento se relacionar com os benefícios. Eu era imatura.

Hoje, acho que o argumento meritório se sustenta até a página 2 do livro das nossas vidas, porque se esbarramos com a misericórdia ou a solidariedade não haverá espaço para julgamentos. Nós, adultos, lidamos com questões complexas que muitas vezes não revelam o certo ou errado, mas, tão somente, decisões que implicam sacrifícios. Acho injusto enxovalhar o Drauzio, ignorando seu qualificado trabalho assistencial. Óbvio, nem precisava falar que os crimes cometidos contra quem não pode se defender são escandalosos, revoltantes.. são os crimes sexuais. Mas, enquanto vigir o contrato social, por nós ratificado, seguiremos evitando, a todo custo, a barbárie.

O Drauzio virou uma referência médica no combate ao sedentarismo, ao tabagismo, a obesidade adulta e infantil. Seus estudos, pesquisas e comentários, visam orientar a sociedade contra os males que os maus hábitos modernos acumulam no corpo e no espírito de milhões de brasileiros. E embora seja um crítico da medicina alternativa, reconhece, sem contestar, os benefícios da alimentação saudável, além de ser um entusiasta das atividades físicas.

Outra frase do maratonista Drauzio, que chega ao parque Ibirapuera às 5 da manhã para correr, é se questionar todos os dias, antes do treino, o porquê de tanto sacrifício. Mas, ao terminar o treino, todos os dias, ele já tem a resposta. Penso nisso como um ciclo eterno de reflexão e endorfina – Boas coisas, para uma boa pessoa. Sobretudo quando o tempo fica carregado de nuvens.

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