PIMENTA

Explosão de sabor


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Existem duas boas teorias sobre o porquê de a gente gostar, e às vezes muito, de pimenta. A primeira, associando ação e sabor, traça relação entre as pessoas que gostam de correr riscos e a ardência. O autor e pesquisador Paul Rozin encontrou uma correlação entre essas pessoas. Como se viver venturosamente incluísse o “risco” de comer pimentas. Ele pensa que pessoas que gostam de montanhas-russas, por exemplo, estão mais propensas a encharcar a pipoca com molho de pimenta. Rozin batizou a teoria de “masoquismo benigno”. Isso vem a ser a atração às sensações de perigo que o corpo reconhece, mas que, em nível superior, sabe-se não ser real, o perigo. Pois bem, pode explicar quando coincidem as duas preferências, mas e quando não?

Uma outra teoria parece mais acertada e interessante. Muitas pessoas amam pimenta porque a capsaicina (molécula responsável pela sensação de ardor) tem um propósito malicioso, tal qual tem a cafeína, a nicotina e a morfina: induzir ao vício. O ardor vai da boca para o cérebro que, ao identificar o perigo, produz endorfina para aliviar o sofrimento. Pronto, a gente ama essazinha que alivia o corpo das dores e dá sensação de prazer.

A dependência por endorfina é hoje provada. A mais conhecida versão dela é a chamada euforia do corredor, mas que se aplica a qualquer praticante de esportes de alta resistência. Nadadores de fundo, ciclistas e maratonistas já experimentaram a particular sensação de euforia.

Mas voltando a pimenta. Ela também tem seus viciados, são os capsicófagos. Muitos vivem na região da Calábria, na Itália, onde muitos são produtores de pimentas extraordinárias. Além de comerem quantidades inimagináveis de pimentas ardidíssimas, dessas que a gente nem tem acesso, eles cultuam um ritual elegante. Quando se encontram para degustações, vestem-se com paletó, colete e gravata. Chegam juntos, sentam-se ao mesmo tempo, tiram os buques de pimentas do bolso, tudo em uníssono. Pimentas na mesa, colocadas entre a taça de vinho tinto e o garfo; ao alcance da mão esquerda.

Os garçons começam o serviço da refeição e os capsicófagos iniciam a liturgia de comer: a mão direita leva uma garfada de comida, a mão esquerda uma pimenta - um bocado de comida misturado a uma mordida. Esse ritmo comida-pimenta é o que identifica um viciado em pimenta em qualquer parte do mundo, pois eles jamais comem qualquer coisa sem que haja uma picância extraordinária junto. Como conseguem? As papilas vão se cauterizando ao longo dos anos e do sofrimento febril. Por isso, vão precisando cada vez de mais ardência para o prazer.
 

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