EVENTO

Sempre se aprende


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Uma manhã lavada por uma chuva mansa e caudalosa abriu o convite para o 1º Festival de Alimentação Infantil Saudável e Orgânica de Franca. Um galpão arejado com decoração despojada nos cobria, mas não impedia que todos os participantes pudessem apreciar o azul do sábado, talvez para nos lembrar como é bom estarmos em composição com a natureza.

A ideia veio bem antes que as temperaturas estivessem nas alturas em Franca. Há cerca de seis meses, a Ana Cláudia, da Tip Toey Joey, a Vivian, paisagista, e a professora Dani Schiavottiello se uniram com a intenção de promover alimentos, alimentação, crianças e produtores. E para além da ideia fofa, o que se viu foi a apresentação entre consumidores finais e produtores que trabalham num sistema mais justo.

De cara, pude ver que não se tratava de uma exposição de bags ou sapatos ecológicos.... Estava presente a Cooperval, uma associação de mulheres agricultoras de hortaliças que se transformou numa grande produtora e fornecedora de orgânicos para merenda escolar. A merenda das escolas da nossa cidade, por exemplo, vem delas, da cidade de Claraval, sede da Cooperval. A Sueli, uma das produtoras, me contou que hoje elas são mais de 40. Com propriedade me falou da aliança com a Emater para levar merenda linda e saudável para crianças em idade escolar.

O evento proporcionou também conhecer, pelo menos, 13 produtores de alimentos de nossa região que já ostentam o cobiçado Selo Verde do Orgânico Certificado. O interesse do consumidor é o que faz crescer a oferta dos orgânicos e a nossa esperança.

Mas, para mim, o que melhor satisfaz meu apetite e instiga minha curiosidade é o modelo de cultivo denominado agroflorestal. Não é de hoje que, sempre que possível, visito áreas onde o cultivo de alimentos e ou a criação de animais se dá em meio a mata, ou floresta.

Há bem pouco tempo era uma atitude disparatada, hoje não soa tão estranho e os conservadores (de hábitos, não de florestas) precisam cada vez mais se esforçar para desmentir o que os olhos veem, por exemplo, no Sítio Santa Terra. Os proprietários, Anderson e Angélica, sozinhos, cuidam de 36 mil m² de terra. Produzem tanto que doam - eu mesma ganhei couve e alface.

Com brilho incomum nos olhos, com uma vitalidade que nos inspira à transformação, Angélica abre os braços e fala: “Está vendo tudo isso que trouxemos? Deixou intacta nossa produção”. Perguntei-lhes se eles têm consciência da dimensão política da atitude deles. Sim, eles sabem muito bem o quanto podem ser queridos e desafiadores.

No mais, saí de lá com vontade ter um bebê ou fazer de nenê minha filha de 21 anos para, ao invés de lhe dar papinha amassada, entregar-lhe alimentos inteiros para que ela pudesse, desde a primeira refeição, perceber a diferença de sabor e textura entre uma mandioquinha e uma cenoura, segundo a técnica BLW de alimentação.

Se aprendi direito, é isso...

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