Acho que meu interesse pelas abelhas começou como ocorre com as outras pessoas, pela espantosa capacidade social desses animais, além da produção alimentar: o mel, que não é para nós, é para eles. Reconheço a eficiência da Apis, a abelha com ferrão, mas aprecio, sobretudo, as abelhas mansas, ou nativas, ou sem ferrão (uma correção, elas até têm ferrões, mas são atrofiados e não servem às ferroadas). Depois de estudá-las, literalmente, passei à prática e ando sonhando com elas há uma semana. Penso que as imagens que vi foram fortes o suficiente para gravarem-se no meu inconsciente.
Na verdade, um fato inusitado me levou até elas. Minha irmã tem um forno de pizza em casa e as abelhas instalaram uma colônia nele. Essa história já durava três anos. Até o momento ninguém se decidira ser cruel ou eficiente o bastante. Por isso, fiz minha inscrição no curso oferecido pelo Senar, que ensina, em quatro dias, noções básicas do manejo das abelhas sem ferrão.
No curso, tomei conhecimento sobre a quantidade de alimentos que são polinizados pelas abelhas, e o quanto somos enganados ao supor que a produção de alimentos seja obra do homem. Ao meu lado, escuto alguém dizer: “Nossa, a horta de casa bombou depois que coloquei duas colmeias”. Informações que, só pode, são intencionalmente escondidas da gente para que tenhamos o falso sentimento de que a vida está bem e sob controle do Homem. Há quem diga que sem as abelhas não duraremos nem cinquenta anos.
Quanto aos meles ou méis, produzidos pelas abelhas nativas, chega a fascinar as diferenças organolépticas de cada um. No horto florestal, fizemos a catalogação das colmeias e a experimentação do mel de cada espécie de abelhas. Quem já saboreou o mel da jataí, que já foi abundante por aqui, sabe bem o que estou dizendo. No entanto, apostar na utilização eficiente desses meles é uma proposta em aberto, por enquanto. A baixa produção, a alta umidade, que leva à fermentação, a difícil extração são barreiras altas demais. Mas o aluguel de colmeias para polinizar plantações insinua bons tempos.
Pois bem, posso dizer que as notícias não foram boas, mas onde é que são?!...
No entanto, os “pets” na casa de minha irmã nos serviu como estudo. Nos encaminhamos para lá, no lindo sábado outonal, arrancamos com formão a resina que grudava a colônia à parede do forno e a colocamos inteira e sem ferimentos dentro de uma caixa de madeira de pinus - na verdade, uma caixinha. Transferimos o pito da porta da colmeia para a caixa e assim induzimos as abelhas campeiras, que estavam na lida naquele sábado de manhã, a entrarem na caixinha. Até o momento a operação foi um sucesso.
Mas só saberemos mesmo daqui a dois meses, quando a caixinha for transferida para minha casa. Porque claro, essa colmeia agora é minha, esse foi o trato.
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