CHOCOLATE I


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Com base em suas origens, o chocolate é uma bebida exótica do novo mundo, cuja planta, o cacaueiro, apareceu às margens dos grandes rios da América do Sul equatorial, imagino que Amazonas, Orinoco e Madalena. A transformação das sementes do cacau em chocolate começou com maias, depois astecas, sendo esses os responsáveis pela torra e moagem das sementes transformando-as em uma bebida amarga, forte e revigorante, utilizada em rituais religiosos de forma simbólica, representando o sangue humano. É curioso. Seiscentos anos antes de Cristo, astecas erguiam suas taças preenchidas com chocolate líquido, sob a alcunha do sangue que revigora a vida.

Com a invasão europeia na América, os viajantes cronistas relataram que esses povos temperavam essa bebida com baunilha, pimenta, mel silvestre e urucum. Não há duvida da sapiência gustativa dos indígenas. Tais ingredientes chegaram até nós e são por nós apreciados até hoje. Causa admiração nossa ignorância ao julgarmo-nos arrojados por acrescentamos pimenta ao chocolate! Note-se que devemos ainda a prática de temperar o chocolate com o urucum que abunda por aqui, nasce, cacheia e seca nos pés sem que tenhamos feito essa interessante mistura.

Acrescentar leite foi ideia inglesa. As chocolaterias inglesas, por volta de 1600, começaram a servir a bebida misturada ao leite e foram a novidade do século e se juntaram às limonadas e cafés. Mas o chocolate seguiu desandado até 1850, porque sólido, era apenas uma pasta quebradiça, por mais que se fracionasse as amêndoas, elas não se integravam. Até que três suíços inventaram a roda que girou a história desse produto fabuloso.

Um confeiteiro chamado Daniel Peter utilizou um novo leite em pó fabricado por Henri Nestlé e com ele finalmente conseguiu fabricar a primeira barra de chocolate ao leite. O desafio de reduzir a adstringência e suavizar o forte sabor do cacau foi enfim vencido com a diluição no leite em pó, dando início a um dos produtos mais amados no mundo inteiro.

O último da tríade é Rudolphe Lindt que inventou a “concha” a máquina que revolve a mistura de amêndoas, açúcar e leite por horas e horas, melhor, por dias, quando o objetivo é ter um produto da maciez de um chocolate Lindt, por exemplo – doce, aveludado e amanteigado. Ao saber que a família Lindt inventou a maciez do chocolate, compreendemos bem o que é manter uma tradição.
      

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