Estamos todos contribuindo para o desgaste do planeta. Quanto mais rico, maior a contribuição, não importa se indivíduo ou nação. Mas muita gente queria que fosse diferente ou se sente mal com esse rótulo de microtorturador do Meio Ambiente. E alguns estudiosos estão colocando seus conhecimentos a serviço da sustentabilidade nossa e da Natureza que nos circunda - e que vai se acabando. Gosto de ouvir essas pessoas e de contar para vocês o que está sendo dito em favor do mundo inteiro. A The Lancet é uma ótima publicação. Recentemente, uma de suas publicações, envolvendo cientistas respeitados, assumiu uma posição que já vinha sendo defendida por muitos nichos da sociedade. Novidade? Quase nenhuma, mas à medida que se pesquisa o assunto, deixa-se o empirismo de lado e passa-se a exibir credibilidade para divulgar a dieta que pode salvar a nós e ao planeta, tendo em vista o crescimento acelerado da população mundial.
Como ponto inicial eles descartaram alimentos cuja produção e consumo estressam o planeta e contribuem decisivamente para a produção de gases que causam o efeito estufa – esse que a gente começou a perceber. O setor alimentar consome cerca de 30% do total das energias desse vasto mundo e a comida é a responsável por cerca de 22% das emissões dos gases de efeito estufa. Com isso, não dá mais para olhar nosso prato apenas com olhos famintos: é necessário criticá-lo. Claro que concordo que a crítica é algo aborrecedor, o prazer é dos sentidos, o raciocínio, não raro, o interrompe.
Quanto aos métodos de produção, eles elegeram a agrofloresta como método viável, inclusive na produtividade, a irrigação por gotejamento e o uso de energia solar. Fazendas modelos desse sistema de produção comprovaram incrementar a biodiversidade, a proteção do solo e a preservação do ecossistema.
Quanto a comida em si, a declaração é tão simples que só pode ser verdade, eles a chamam de Plant-based. É uma alimentação a base de vegetais, frutas e grãos, com redução drástica de carne vermelha e qualquer tipo de processado. Peixes, somente vindos de estoques sustentáveis, por aqui dizemos peixe pescado. Além de combater o desperdício de comida, que todos nós já sabemos ser, insultante. E ainda, comprar localmente de produtores da região onde se mora, essa aliás é uma antiga bandeira do Slow Food.
Pois bem, a vilania da carne vermelha e do leite cresce a cada hora, transformando-se num ponto nevrálgico entre defensores e combatentes.
Óbvio que o cidadão não tem a garantia de que trilha seguir, ainda mais quando se trata de um dos negócios mais vultosos do planeta. Por isso, a necessidade de bons e isentos estudos. Mas é preciso considerar a resposta de uma das associações em favor da carne: um avião, numa viagem Roma-Bruxelas, por exemplo, despeja no céu gás equivalente àquele gerado pelo consumo de um ano de carne vermelha por pessoa.
Com isso, entendo que todos precisamos agir urgentemente, mas sem o irritante dedinho em riste.
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