MERCADO FRANCÊS


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Vínhamos de um quadrilátero cheio de história, hoje mudo e quase invisível. Nada indicava que aquele lugar fora uma fortificação para os cavaleiros templários durante a Idade Média e os mantiveram a salvo da jurisdição francesa - um Estado dentro de um Estado -, naquele tempo se chamava Square du Temple. 
 
Hoje, cumpre a função social de praça: vimos um bebê carregar, heróico, seu baldinho de praia repleto de neve do rigoroso inverno, o pai o estimulava a cumprir uma atividade que parecia ser a de deslocar toda a neve de uma calçada para outra. Observá-los aniquilou de vez a aura medievalística que buscávamos, desistimos.   Caminhávamos para o metrô quando a discreta plaquinha Marché Des  Enfants Rouges nos deteve. 
 
Ela indicava a entrada do que parecia ser um desses mercados itinerantes de rua. Entramos por um corredor estreito, que ao fundo se alarga  e instala pequenos restaurantes e barracas de comida.
 
Andávamos a tanto tempo que perdêramos a noção das horas, mas era quase noite, então, poderíamos ficar para jantar. A Casa Libanesa foi nossa opção, sei lá por quê, mas ficamos com uma porção pequena de sopa de lentilhas e um falafel, dessa vez em pão folha, mais leve e sem molho. Enquanto comíamos o nosso, assistíamos ao dono, em 5 minutos, comer um meio quilo de hommus levado à boca pela cunha de pão folha. Uma perícia em pinçar a comida que fez a gente pensar em autenticidade. 
 
Terminamos e fomos apreciar as barracas de peixes, conhecer o que o Atlântico deles dá de diferente do nosso. Então, finalmente, fui apresentada a um camarão tigre - espécie enorme, chega a medir 30 cm de cumprimento. Isso nem é o mais impressionante, a cor é que fisga – listras azuis marinho ou pretas pelo corpo. Esse magnífico animal é originário da costa do Pacífico ou do Índico e vive em águas profundas. Até onde sei, trazê-lo à superfície custa um arrastão impagável, e cultivá-lo requer cuidado, pois se trata de espécie invasora e carnívora.
 
Para finalizar uma baklava, um doce, provavelmente do Oriente Médio feito de massa filo, nozes trituradas, regado a mel, há quem diga que o doce é grego e leva pistaches, ou turco…Sei que, além de bom, nos levou a descobrir que o Des Enfants Rouge é o mais antigo mercado de Paris, existe desde 1615. 
 
O nome “Das crianças vermelhas” se refere ao modo como as crianças de um orfanato, próximo ao mercado, eram chamadas, porque usavam uniformes vermelhos. Esse orfanato foi fundado por volta de 1500. 
 
Portanto, é possível que algum cavaleiro ao galgar aflito a subida do Marais tenha tido a visão das crianças vermelhas, é possível que alguma criança tenha tida a fantástica visão de um cavaleiro em sua armadura - uma parte da história que buscávamos escondida num lugar improvável. 

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