A mais importante descoberta arqueológica deste e do século passado diz respeito a Ele, Jesus Cristo. Em 1945, no sítio arqueológico de Qumran, por acaso, encontraram bilhas enterradas contendo manuscritos de antes e depois de Cristo. Dentre os documentos, acredita-se, o Evangelho de Tiago e o Evangelho de Judas, também a biblioteca dos Essênios – que os apresentou ao Ocidente. Especula-se se Jesus tivera contato, se aprendera com essa tribo de homens que praticava uma vida asceta, mas ostentava sofisticados conhecimentos sobre a Natureza. Com 350 dias de sol escaldante, com o mar mais salgado do mundo a frente, plantavam e colhiam satisfatoriamente.
Ler a História do Cristianismo, de Alain Corbain, nos leva a genuflexão, porque as principais certezas sobre o homem Jesus são, justamente, sua bondade. A misericórdia ativa de Jesus é adjuvante, o modelo pregado à cruz, como disse Fernando Pessoa, serviu de modelo à todas as outras cruzes.
As certezas sobre a vida de Jesus Cristo são poucas devido à escassez documental, conforme observa o historiador Daniel Marguerat. Mas aquelas sustentáveis são reveladoras do gênio descrito nos textos religiosos judaicos e cristãos. Sabe-se que Jesus foi batizado no Jordão por João Batista, de quem foi seguidor até formar seu próprio grupo. Acreditava na vinda iminente de Deus, compartilhava a ideia de que, para ser salvo, não bastava ser “povo de Israel”, que a prática do amor e da justiça levam ao “Pai”. Para surpresa geral e incompreensão de muitos apresentou, um Deus próximo e acolhedor. Mas escandalizou a sociedade quando ignorou o conceito de comensalidade e chamou à sua “mesa” os marginalizados de seu tempo: mulheres, doentes, infratores, por exemplo.
Comer é um ato biológico e solitário, ninguém poderá mastigar ou digerir por nós, mas a comensalidade vem do latim mensa e agrega o ato de estar junto, de dividir e somar a presença de uns com outros. As festas natalinas são um exemplo vivo disso, ainda que alguns não nos agradem é melhor tê-los por perto do que distantes.
Foi o calor protetivo do fogo que reuniu os hominídeos e jamais perdemos o hábito, ao contrário, o sofisticamos espetacularmente.
Ao se misturar com gente de todo “tipo”, Jesus quebra com a tradição comensal de seu tempo, e é visto como um contestador. Acredito que ele não estava desprezando a “mesa” familiar ou grupal, estava apenas colocando o amor acima de todas as coisas. Em suma, Marguerat observa que Jesus Cristo não disse quem era, mas agiu o tempo todo como se fosse, por isso, os olhos que testemunharam sua vida o reconheceram como O filho de Deus.
Um Natal de muito amor a todos.
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