Banquetaço contra a farinata


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PEGOL MAL - O prefeito de São Paulo, João Dória, desistiu de incluir a farinata na merenda das escolas
PEGOL MAL - O prefeito de São Paulo, João Dória, desistiu de incluir a farinata na merenda das escolas
Uma frase de efeito selou o final da discussão sobre se incluir ou não a farinata na merenda das escolas de São Paulo. João Dória disse: “Dada a polêmica, entendemos que não seria adequado insistir nesse projeto”. O típico: pegou mal, melhor esquecer. O formidável é que a sua declaração foi dada exatamente no dia em que aconteceu uma mobilização por profissionais da gastronomia. Um Coletivo, que congrega diferentes ramos, mas se intersecta na comida de verdade – slow food, chefs de cozinha, estudiosos – uniram-se para derrubar a iniciativa do prefeito de São Paulo: servir para crianças e suas famílias carentes um alimento superprocessado com nutrientes adicionados. 
 
Uma imensa e amistosa mesa foi posta em frente ao Teatro Municipal. Qualquer pessoa poderia tomar assento e experimentar a comida preparada com ingredientes simples, salvos, inclusive, do descarte de feiras e mercados. A ação, além do preparo de refeições naturais, foi uma clara provocação à pior frase dita pelo prefeito: “pobre não tem hábito alimentar, mas fome”. A mesa posta é a comensalidade que Dória negou. O Banquetaço, como foi chamado o ato gastronômico, foi antecedido por uma carta manifesto e, certamente, a influência dos signatários foi decisiva para a reflexão e desistência do projeto alimentar farinata. Conheço alguns signatários, mas sou amiga de um deles, Paula Feliciano, minha professora na pós-graduação de gastronomia brasileira. O Banquetaço foi para a rua com a intenção de pressionar o prefeito a desistir da ideia. Conforme Paula me relatou, o objetivo era claro e imediato, sem rodeios: a merenda escolar precisa contemplar a comida orgânica! Fato é que, nem bem havia começado o Banquetaço, 
Dória já anunciava a desistência da farinata.
 
João Dória sabe das coisas. Durante sua campanha eleitoral foi acompanhado algumas vezes pela jornalista Júlia Duailibi, da revista Piauí. Após um dia extenuante de candidato, ela o ouviu ao telefone com sua funcionária pedindo-lhe que lhe deixasse para comer apenas “aquele pratinho de frutas”. Durante suas reuniões de trabalho ele oferece aos convidados, por exemplo, granola, frutas, castanhas. Claramente ostenta orgulhoso a silhueta enxuta. 
 
Portanto, a guinada de seu leme pode bem vir do coração.

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