O que é uma galinha caipira? O que a difere de um frango convencional? Caipira é sinônimo de orgânico? E a percepção de galinha feliz? Ninguém nega, comida já foi assunto simples. A galinha caipira era aquela que ciscava no quintal da casa da gente, e só. Seria provavelmente um Pesadão Vermelho ou a bela de plumagem Carijó. Hoje, a dimensão visual não é suficiente, a vida moderna e a constante preocupação alimentar estabeleceram parâmetros para a tão nossa galinha caipira.
A galinha foi introduzida no Brasil pelos portugueses e causou horror aos índios, que por muito tempo as recusaram como alimento. Aliás, acostumados às jaguatiricas e cobras peçonhentas no chão das ocas, vacilaram justamente diante das ingênuas galinhas. Nem por isso elas deixaram de se tornar um dos mais fortes elementos da dieta brasileira: Xinxim, Cabidela, Molho Pardo são pratos icônicos de suas regiões que, para além das Minas Gerais, cultivaram nos quintais a presença das galinhas e de seus ovos.
A galinha caipira é também chamada de capoeira, colonial, mas, seguramente, o nome caipira é o mais difundido, mesmo nas localidades onde o termo não é utilizado como na nossa região. Produtores e governo formalizaram condições que atestam a legitimidade da caipirice, sendo a mais importante delas a raça, depois a liberdade. Ainda que parcialmente, a galinha caipira deve ser criada solta, para ciscar, escolher seus alimentos que vão de grãos a escorpiões. Exercitar-se, esticar as asas, alçar pequenos voos, tomar banho de areia, enfim exercer a sua animalidade – poder ser o que nasceu para ser, o que nos leva a intuir se tratar de uma galinha feliz. Para o manejo estão proibidos quaisquer melhoradores de desempenho e, medicação, apenas terapêutica.
Em contrapartida, uma folha de papel A4 é maior que a área de confinamento a que um frango de granja estará destinado a viver por toda a vida. Uma triste realidade brasileira que nos conforma. Afinal, estamos enfrentando problemas maiores que esses...isso pode até ser uma boa desculpa, mas a Índia, que não tem problemas menores que os nossos, já aboliu a criação de frango em gaiolas. Também proibiram todos os países da união Europeia e muitos outros. Essa é uma prova de que o bem-estar animal não é fantasia.
O frango orgânico deve ser tudo o que o caipira é, mas, de acordo com instrução normativa, a sua criação deve respeito ao solo, à cadeia produtiva, à higiene e, a alimentação fornecida, terá, obrigatoriamente, origem orgânica.
O frango caipira morto é facilmente identificável pela cor da pele e das pernas: amarelas. Na panela, não há dúvida, rende aquele caldo brilhante cor âmbar. E quanto aos filés de peito grelhado, o caipira não faz na boca aquela sensação de coco ralado, que a gente não sabe se assopra ou engole em seco. Enfim, cor, sabor, liberdade, realização pessoal e até um certo glamour habitam o território das bonitas galinhas caipiras.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.