Não sei bem quando começou, mas de repente Ribeirão Preto foi nos parecendo quente demais, mundano demais, quase “cidade grande”, meio feia, verde nenhum. Talvez a antipatia tenha começado quando a opção “passeio em Ribeirão Preto” tornou-se homônima da palavra “shopping”. Fui perdendo o interesse pela cidade e, há muito não íamos até lá para comer. Some-se a isso um fato: qual é hoje o grande restaurante daquela cidade? Seria uma churrascaria? Claro, devo estar sendo saudosista, mas aquela cidade já foi melhor servida de restaurantes, acho, La Pyramide, Ciprestes e Fofo não foram substituídos.
Mas alguém começou a abrir meu apetite. Nosso professor de ginástica e amigo querido, Renatinho, é frequentador assíduo de um restaurante em Ribeirão. Gosto de lhe provocar a resposta: e aí, Renatinho? Como foi o final de semana? Para simplesmente ouvi-lo prazerosamente dizer: “Ah! Fui ao Damasco, tava tão gostoso, eu gosto de lá, sabe, as pessoas, a comida, o ambiente, me sentei no jardim e fiquei por conta do nada, petiscando e bebericando”. Pronto, ele acabou por acertar o ponto da maionese comigo e me encheu de curiosidade. Convidei minha filha, e com isso consegui uma aliada na derrubada da resistência do meu marido. Horário e local previamente combinados lá fomos nós saborear as delícias que o Renatinho vem há anos nos vendendo.
O Damasco como pode parecer, não é um restaurante jovem, ao contrário disso, foi fundado em 1957 por uma família de sírios. E também não nasceu restaurante, ele foi um armazém, do tipo secos e molhados, durante muito anos. Onde serviam também alguns pratos e salgados. Algumas receitas são de família, guardadas em segredo e, dizem, sem perder a originalidade. O modelo de transição e clientela me lembrou muito o restaurante Tábua de Frios, do Dagoberto, daqui de Franca. Um armazém fino onde as pessoas gostam de encostar a barriga no balcão e petiscar, aos poucos a coisa vai se avolumando, até tomar cara de restaurante.
Pois bem, só uma parte de nós chegou até o Damasco, a outra ficou presa, junto com nosso carro e uma roda com três parafusos quebrados, numa borracharia das 13 às 18 horas sem comer um mísero quibe - meu marido, claro. O restante de nós, famintos, imersos num calor ribeirão-pretano que é mais significativo que o Saarico, pode atestar que o quibe cru é especial, o frescor da carne, como aliás tem que ser, desafiava o calor, era quase um oásis. O hommus muito gostoso, as torradas corretas. A salada de grão de bico com bacalhau estava ótima. As esfirras muito boas, a massa um tantinho mais grossa do que as excelentes e francaníssimas esfirras da Tenda Árabe, essas, minhas preferidas. Preciso destacar também o excelente serviço do local, que é grande, que estava lotado, e tudo o que foi pedido chegou muito rápido e exatamente conforme estava no cardápio. Entendi que a vocação do local é a paquera. Mulheres bonitas e excessivamente arrumadas para um almoço ou lanche descomprometido de um sábado relax. Os homens perfeitamente à vontade e satisfeitos com um horizonte tão colorido. Mas nada, em absoluto, desrespeitoso: famílias e crianças disputavam o ambiente, igualmente.
Por fim, restou ao meu marido uma sacolinha de delivery com três esfirras, duas Cerpas e voltar para Franca no caminhão do guincho. Não ousei lhe perguntar ainda se ele gostou das esfirras, muito menos como andam os céus ribeirão-pretanos.
DICA DA SEMANA
Suco refrescante
Dizem por ai que essa receita é desintoxicante e ainda emagrecedora porque seria diurética. Disso nada sei, escuto sempre alguém dizer que tais coisas são detox, depois escuto dizerem que isso é muita bobagem
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