Tive uma ânsia danada por trocar de papeis essa semana: deixar a crônica – retrato do cotidiano - para me embrenhar na reportagem investigativa e desbaratar podres poderes. Não cheguei a isso, que é exagero ainda assim e, falando a sério, sinto-me instada a tratar de um assunto um pouco estranho que o consumidor brasileiro deveria saber e só então decidir se compra, melhor, se consome. De qualquer forma, comento com vocês um caso do nosso dia-a-dia.
O governo brasileiro, juntamente com a Ministra da Agricultura, estão in love com os Estados Unidos porque conseguiram essa semana resolver uma pendenga que já durava 15 anos: o embargo à carne bovina in natura brasileira, devido a febre aftosa. Não sou criança e me lembro bem dessa notícia, da tristeza e das perdas geradas por conta da aftosa. O nome da doença ficou gravado em nossas mentes, e mesmo quem só viveu na cidade e tem, na caixa de leite UHT, seu contato mais íntimo com uma vaca, já ouviu falar em febre aftosa.
Pois então, Brasil e EUA celebraram o que se chamou de Compromisso Bilateral entre os dois países. Procurei ler os termos desse compromisso, mas não os encontrei, catei uma informação aqui outra ali, mas a íntegra não consegui. Sei que, da parte dos Estados Unidos, eles permitirão a entrada da carne bovina brasileira, que poderá ser fresca ou congelada. Não estão habilitados todos os Estados brasileiros, mas 13 deles que comprovaram satisfatoriamente ter erradicado a febre aftosa. O acordo tem um nome cumprido: Contrato Sanitário e Fitossanitário, que na verdade resguarda os dois países para exigirem condições na forma de embalagem, temperatura de transporte e armazenamento. Ah! A febre aftosa contamina animais denominados biangulados, aqueles de dois dedos, e é inofensiva ao homem.
Mas os EUA tiveram histórico de vaca louca no rebanho, que parece ter começado em 2002, alguns anos depois dos casos na Europa. Desde 2004, produtores brasileiros ligam a fatalidade dessa terrível doença à possibilidade de, enfim, voltar a vender carne para os EUA - há mais de 10 anos faz-se contas com a possibilidade da exportação. Demorou, mas chegou. Isso porque a ocorrência, embora baixa - outros dizem que baixa mesmo é a quantidade de exames feitos nos animais -, continua existindo: 2008, 2012, 2013. O governo americano pede paciência ao povo americano e garante que está tudo sob controle. O americano consome cerca de 29 quilos de carne ao ano e é ele quem come quase toda a carne produzida pelos Estados Unidos, quase 90% da produção americana atende ao mercado interno. Então, qual o interesse em ter na outra ponta da negociação a condição de que o Brasil seja obrigatoriamente comprador da carne americana? E mais: os Estados Unidos impuseram uma cota máxima de compra da nossa carne, cota essa que será ainda rateada com outros países. E o Brasil? Não impôs cota alguma, poderemos comprar carne americana a rodo, ufa, que alívio. Ah! A doença da vaca louca contamina também o homem, arruína seu cérebro e fatalmente o leva a morte.
O espaço foi curto, gostaria de voltar ao tema.
DICA DA SEMANA
Limão
Espremer os limões, principalmente quando estão fora de época, é difícil e quase todo o dinheiro da gente vai embora para lata do lixo, porque caldo mesmo, quase nenhum. Você pode se utilizar dos espremedores que possuem as castanhas menores. Mas se você não tem um espremedor e se também não está a fim de sujá-lo por conta de um limãozinho comece por rolar a fruta na pia e com a palma da mão vá espremendo-o com um pouco de força, a gente sente o suco se soltando do bagaço. Mas vi dias desses um incremento nessa técnica, antes de rolar o limão coloque-o no micro-ondas por 50 segundos. Isso ajuda a amolecer o limão ainda mais. Só preste atenção na potência do seu aparelho, bem como no tamanho da fruta. Essa técnica é perfeita para os sicilianos.
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